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Quinta, 28 de outubro de 2021
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Economia

Com inflação alta, salário mínimo já perdeu R$ 62 em poder de compra em 2021

Desde o começo do ano, carnes subiram 8%, frango subiu 11%, conta de luz avançou 10% e botijão de gás ficou 23% mais caro

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salário mínimode R$ 1.100 em 2021, está perdendo poder de compra rápido ao longo do ano, conforme a inflação avança e torna itens do dia a dia mais caros. 

Desde janeiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), o indicador oficial de inflação da baixa renda, já subiu 5,9%, numa das maiores altas para o período em duas décadas. 

 
É, em oito meses, mais do que a inflação de outros anos inteiros. Em 2020, por exemplo, o INPC foi de 5,5% e, em 2019, 4,5%. 

Com isso, o salário mínimo, que foi reajustado pela última vez em janeiro, já perdeu R$ 62 de seu poder de compra: descontada a inflação, os R$ 1.100 de janeiro são o equivalente, hoje, a R$ 1.038, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). 

Ou seja: ter R$ 1.100 na mão, agora, compra o que, em janeiro, custava R$ 1.038, na média. 

Reajuste anual 

O salário mínimo deve ser reajustado todo ano pelo menos para recompor a inflação do ano anterior, um direito que é garantido pela Constituição Federal. 

Esses reajustes são feitos pelo governo anualmente, geralmente em janeiro, e é normal, com isso, que o salário mínimo vá perdendo um pouco de seu poder de compra conforme os meses passam e a inflação avança. 

Ou seja, o piso nacional sempre chega ao fim do ano capaz de comprar um pouco menos do que comprava no início. 

Como neste ano, porém, muitos itens começaram a ficar caros demais, essa mordida nos salários ficou mais rápida e mais intensa. 

“A velocidade com que o salário mínimo vem perdendo poder de compra ficou muito rápida”, disse Ilmar Silva, economista do Dieese. “E, para uma pessoa que vive com uma renda de R$ 1.100, qualquer R$ 62 faz diferença, sim.” 

Inflação maior para os mais pobres 

Silva destaca, ainda, que a dinâmica atual da inflação está especialmente mais cruel para os mais pobres, que têm uma parte muito maior do salário comprometida com itens básicos da casa – justamente onde estão os maiores aumentos. 

“A alta mais considerável aconteceu no grupo de alimentação, que é o que vai trazer a maior preocupação para as famílias de renda mais baixa. Cerca de 25% do orçamento deles é com alimentação”, disse. 

Em 2021, considerado o acumulado entre janeiro e agosto, os preços dos alimentos nos supermercados sobiram 4,7%, de acordo com os dados do INPC. 

E, se 2020, os vilões foram o arroz e o óleo de soja, em 2021, são as carnes (+8,4%), o frango (+11%), a margarina (+15%) e o café (+17%) que também resolveram pesar no carrinho. 

Além disso, a conta de luz sobe 10% só neste ano, o gás encanado já ficou 14% mais caro desde janeiro e, o botijão, 23%. 

Também estão na lista a gasolina, que já subiu 30% e, o etanol, 40%. “Os combustíveis afetam menos a baixa renda, que não tem carro, mas acabam influenciando no preço dos alimentos e de uma série de outras coisas [pelo transporte]”, explica Silva. 

Não à toa, a inflação da baixa renda está correndo na frente da inflação geral: enquanto o INPC, que considera a cesta de consumo daquelas que ganham até cinco salário mínimos, sobe 5,9% de janeiro a agosto, o IPCA, que é a inflação da população geral, sobe 5,7%. 

Em 12 meses, o IPCA chegou a 9,7%, enquanto o INPC já passou dos dois dígitos e chegou aos 10,4% em um ano até agosto. Os dois indicadores são calculados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 

Fonte/Créditos: CNN BRASIL

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