Há dias em que eu me sento para ler não por disciplina, nem por erudição, mas por necessidade. Leio como quem procura ar. Como quem precisa entender o que sente e ainda não sabe nomear. Os livros não são para mim objetos de estante; são companheiros de travessia. São lugares onde descanso da superfície do mundo e mergulho no que realmente me move.
Sempre fui atravessado por perguntas que não fazem barulho. O que é amar quando tudo parece provisório. O que é o tempo quando ele nos transforma sem pedir licença. O que resta quando as certezas caem. Talvez por isso eu tenha encontrado abrigo nesses escritores. Não porque eles tenham respostas, mas porque souberam transformar inquietação em linguagem.
Quando leio, não estou apenas diante de páginas. Estou diante de mim mesmo. Cada frase acende uma lembrança, cada silêncio revela um medo antigo, cada personagem carrega algo que reconheço como meu. A literatura, para mim, não é fuga. É confronto delicado. É espelho. É confissão.
E talvez seja por isso que eu continue voltando a esses livros. Porque, no fundo, não leio apenas para compreender grandes ideias. Leio para compreender o que pulsa dentro de mim.
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