Um atentado que matou 26 turistas na região da Caxemira, no norte da Índia, no dia 22 de abril, acendeu o alerta máximo entre Índia e Paquistão, duas nações rivais e detentoras de armas nucleares. Desde então, os países trocaram acusações de envolvimento com grupos terroristas, medidas diplomáticas de retaliação e até confrontos armados na fronteira, elevando o temor de uma nova guerra no sul da Ásia.
O atentado provocou forte reação na Índia, de maioria hindu, aumentando a pressão sobre o governo do primeiro-ministro Narendra Modi para adotar uma postura mais dura em relação ao vizinho Paquistão, de maioria muçulmana. Nova Délhi acusa Islamabad de apoiar financeiramente e dar suporte logístico a grupos extremistas que atuam na Caxemira, território de disputa histórica entre os dois países.
Em resposta, a Índia suspendeu a participação no Tratado de Águas do Indo, que regula desde 1960 o compartilhamento dos rios da região, com mediação do Banco Mundial. Também rebaixou suas relações diplomáticas com o Paquistão. Islamabad retaliou fechando o espaço aéreo para aeronaves indianas, expulsando diplomatas e suspendendo o comércio bilateral.
Na Linha de Controle, a fronteira de fato entre as áreas controladas por Índia e Paquistão na Caxemira, os tiroteios se intensificaram. Tropas dos dois lados trocam disparos há quatro dias consecutivos.
A Índia afirma que está apenas respondendo a tiros “não provocados” disparados do lado paquistanês. Já o Paquistão alega ter abatido 54 militantes que teriam cruzado a fronteira a partir do Afeganistão, supostamente com apoio indiano.
Risco de escalada militar
O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Muhammad Asif, afirmou na segunda-feira (28) que uma incursão militar indiana seria iminente. Segundo ele, o país está pronto para responder a qualquer ameaça, inclusive com o uso de armas nucleares “em caso de ameaça direta à existência nacional”.
A Índia, por sua vez, realizou exercícios militares e testes de mísseis de longo alcance nos últimos dias, numa tentativa de demonstrar sua capacidade de dissuasão. Lideranças locais na região de Jammu e Caxemira pediram cautela para evitar que a população civil seja vítima de ações militares.
A escalada preocupa a comunidade internacional. A ONU apelou por moderação de ambos os lados. Estados Unidos, China e países do Golfo Árabe foram acionados para tentar mediar a crise. Washington declarou manter contatos com os dois governos, mas evitou assumir um papel de mediação diret
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