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Quinta-feira, 18 de Julho de 2024

Saúde

Mulher vítima de estupro é obrigada a ouvir o coração do feto em hospital

Além disso, a equipe do hospital tentou convencê-la a não realizar o aborto

Hoje Amazônia
Por Hoje Amazônia
Mulher vítima de estupro é obrigada a ouvir o coração do feto em hospital
Foto: Edson Hatakeyama/Prefeitura de São Paulo
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Uma mulher vítima de estupro relatou à Globonews que foi obrigada a ouvir o coração do feto ao tentar realizar um aborto em um hospital de São Paulo. O episódio ocorreu no Hospital Municipal Tide Setubal, em São Miguel Paulista, na zona leste da cidade.

“Como o atendimento estava agendado, achei que eu ia chegar e iam estar me esperando. O atendimento foi péssimo, tive que falar perto de pessoas e o pior de tudo foi precisar ouvir o coração do feto. Eu pedi para ele [profissional de saúde] parar e tirar, levantei e saí da sala”, afirmou a vítima

Além disso, a equipe do hospital tentou convencê-la a não realizar o aborto. “Me falaram para tentar segurar o neném até nove meses, que eles me dariam laqueadura, que iam cuidar de mim e me buscar para fazer a cirurgia e tudo mais. Eu fui embora para casa acabada, não sei nem explicar. Eu já estava pensando como fazer em casa sozinha porque eu não tinha condições”, contou a mulher.

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Apesar de a legislação federal autorizar mulheres a interromper a gestação em casos de violência sexual, a mulher afirmou que teve o aborto negado em três hospitais da capital paulista. Ela só conseguiu realizar o procedimento em outro estado, após receber ajuda da Defensoria Pública de São Paulo.

O Hospital Tide Setubal foi o terceiro hospital que ela procurou antes de deixar o estado para realizar o aborto. Antes disso, ela buscou ajuda no Hospital da Mulher, administrado pelo governo estadual, e no Hospital Municipal Campo Limpo. As unidades se recusaram a realizar o procedimento, alegando que a gestação estava avançada. A vítima do estupro só descobriu a gravidez na 24ª semana.

PL do Aborto

Um projeto de lei em discussão na Câmara dos Deputados propõe equiparar o aborto ao crime de homicídio nos casos em que o procedimento é realizado a partir da 22ª semana de gravidez. Isso significa que mulheres vítimas de estupro que queiram interromper a gestação poderiam enfrentar penas mais severas do que os seus agressores.

A pena para homicídio varia de seis a 20 anos de prisão, enquanto a pena para estupradores é de seis a dez anos.

Este caso destaca a urgência do debate sobre o acesso ao aborto seguro e legal para vítimas de violência sexual, bem como as implicações legais das propostas em discussão no Congresso Nacional.

Com informações do Metrópoles*

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