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Quarta-feira, 22 de Abril de 2026

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O Carnaval da DRACO II: A Protegida Aléssio Madeiras

Por uma análise de bastidor: Enquanto o samba atravessava a avenida, em Rondônia o enredo era outro — e bem mais sombrio.

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Por Hoje Amazônia
O Carnaval da DRACO II: A Protegida Aléssio Madeiras
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O que se viu no feriado de Carnaval foi a consolidação de uma rede de proteção que beira o surrealismo, unindo agentes da DRACO II e setores do Ministério Público em torno de uma estrela improvável: a Aléssio Madeiras e seu onipresente "auxiliar de mecânica".
O "currículo" da empresa é de causar inveja a qualquer vilão de folhetim. Entre dezembro de 2017 e maio de 2018, nada menos que sete mil metros cúbicos de madeira serrada circularam livremente. Onde estava o braço forte do Estado? O silêncio é ensurdecedor; já na esfera federal, o sistema parece ser o único a manter a vigília.
O "Milagre" do Transporte Fluvial no Deserto
A "capivara" da Aléssio Madeiras não é de hoje. Em 2011, o IBAMA já havia flagrado a mágica: a empresa, sediada em Espigão D’Oeste, transportava madeira por via fluvial. O detalhe? Não há rio navegável por aquelas bandas. É a logística do impossível a serviço do crime ambiental.
A fraude, porém, ganhou contornos de alta tecnologia em 2017. Através de um "golpe digital" — o uso indevido do certificado de um servidor do IBAMA —, a empresa foi desbloqueada. A partir daí, o que se viu foi um festival de créditos virtuais servindo para "esquentar" madeira real, extraída ilegalmente de reservas indígenas e áreas de preservação.
A Omissão como Política de Estado
O roteiro do descaso é farto em provas:
• Janeiro de 2018: O IBAMA detectou o desbloqueio irregular da Aléssio Madeiras. Embora técnicos tenham sugerido o bloqueio imediato, este, inexplicavelmente, não ocorreu.
• Fevereiro de 2018: A SEDAM, sob o comando de Vilson Salles Machado, avisou o IBAMA sobre a fraude. Providência tomada? Nenhuma. A sangria continuou.
• Março de 2018: Em um lance de audácia, a SEDAM determinou uma vistoria para regularizar a licença da empresa. O laudo foi acachapante: a empresa simplesmente não existia no endereço indicado há anos. Mesmo assim, ninguém apertou o botão de "bloqueio".
O Mundo de Ponta-Cabeça
A cereja do bolo — ou o ápice do enredo — é a atuação da DRACO II. Enquanto os delegados já sabiam da existência da "empresa fantasma" desde janeiro de 2018, o inquérito da Operação Pau Oco parece ter sido desenhado para proteger quem deveria ser investigado e punir quem ousou trabalhar.
O único momento de lucidez institucional veio em junho de 2018, quando o então secretário Hamilton Santiago Pereira bloqueou doze Planos de Exploração (Autex) e multou as empresas cúmplices em quase R$ 3 milhões.
O prêmio por sua eficiência? Em vez de honrarias, ele e outros que cumpriram o dever acabaram no alvo, enquanto os omissos e os arquitetos da fraude permanecem sob o manto protetor de uma investigação que parece ignorar o óbvio. No reino da DRACO II, o poste não apenas urina no cachorro; ele o investiga por estar no caminho. É a omissão institucional elevada ao status de arte.
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O Enredo do Absurdo: Quando o Sistema de Justiça Perde a Bússola
O nó górdio dessa história é acintoso: no centro de um esquema que beneficiava a Aléssio Madeiras — operado pelo seu prodigioso "auxiliar de mecânica" — os verdadeiros cabeças continuam intocados, flanando sob o sol de Rondônia. Enquanto isso, quem teve a ousadia de romper o cerco de proteção virou alvo. O mundo, como se vê, está de ponta-cabeça.
O roteiro da denúncia beira o amadorismo jurídico. Investigam-se cidadãos por suposta inserção de dados falsos no sistema do IBAMA, ignorando o "beabá" do Direito Ambiental e Digital: os acusados não são donos, não são representantes e, acima de tudo, não possuem o certificado digital necessário para acessar o sistema. É uma acusação que não pararia de pé nem em prova de primeiro semestre de faculdade.
O "Mico" Institucional
Para evitar esse verdadeiro vexame processual, bastava um gesto simples, republicano: um ofício. Se os delegados da DRACO II tivessem tido o zelo de consultar o IBAMA — como fez, aliás, Hamilton Santiago Pereira —, descobririam a autoria real do delito. As provas foram entregues de bandeja, mas a Polícia Civil preferiu o caminho do mal-entendido conveniente.
Conclusão: A Conta é do Contribuinte
O que se vê é a cara e pesada máquina do Estado — Polícia, Ministério Público e Judiciário — girando em falso. Gastam-se rios de dinheiro público para perseguir crimes inexistentes e punir quem cumpriu o dever, enquanto se faz vista grossa para a sangria real da floresta.
Nesta segunda-feira de Carnaval, a pergunta que fica nos bastidores é uma só: a quem interessa manter a Aléssio Madeiras fora do radar e os honestos no banco dos réus? Na terça-feira de Carnaval o desfile continua: o "Bloco do Acobertamento" entrará na avenida.


16 de fevereiro de 2018, segunda-feira  de carnaval.
Daniel Pereira, ex-governador de Rondônia e uma das muitas vítimas da Operação Pau Oco.

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