Entramos no ritmo da Quarta-feira de Cinzas, mas o enredo que veio até aqui não tem nada de festivo. Enquanto a folia tomava conta das ruas, nos bastidores do Judiciário e da Polícia Civil o que se viu foi um desfile de incongruências na chamada Operação Pau Oco. O caso, que deveria ser uma investigação técnica contra o crime ambiental, está mais para um roteiro mal acabado de escola de samba de última categoria.
O X da questão é o seguinte: delegados da Draco II e representantes do Ministério Público não podem dizer que não sabiam. Hamilton Santiago, ex-titular da Sedam, entregou o mapa da mina ainda em 2018: bloqueou a empresa Aléssio e aplicou uma multa de quase R$ 3 milhões. Estava tudo lá, no papel e no depoimento. Mas, sabe como é a política... em vez de seguirem o fio da meada, os investigadores parecem ter preferido um "atalho" tortuoso.
O objetivo, agora fica claro, não era a verdade dos fatos, mas sim prospectar — para usar um termo da moda — provas que pudessem carimbar a testa da gestão de Daniel Pereira. É o velho método de escolher o culpado antes de identificar o crime.
O Personagem Oculto
Entra em cena Davi de Oliveira Machado. O MPF já apontou a digital dele no sistema do Ibama, beneficiando justamente a tal empresa Aléssio. O cruzamento de dados é fatal: mesmo IP, mesmo certificado digital e uma rede de empresas que se entrelaçam.
A pergunta que não quer calar nos corredores do poder: por que a investigação local ignorou o rastro deixado por Davi?
A coisa fica ainda mais feia quando olhamos para as tais "provas" contra Santiago e Pitaluga:
• Falsificação grosseira: Das 15 assinaturas atribuídas a eles, cinco são idênticas — um "copia e cola" digital que desafia as leis da biologia humana.
• Erros primários: As outras assinaturas não batem e trazem erros grotescos até nos nomes dos signatários.
• O Batom na Cueca: Na empresa L.A. Cabos, usaram o certificado digital número 205651. Sabe de quem? O mesmo usado por Davi de Oliveira Machado meses antes.
A Hora da Verdade
Resta evidente que a Draco II e o MP estadual fecharam os olhos para a autoria óbvia dos crimes. Em vez de punir quem burlou o sistema, parece que se "apropriaram" da técnica para fabricar provas contra quem Daniel Pereira nomeou. Um ano de devassa, e o resultado é um zero à esquerda em termos de ilícitos reais.
A Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma. É tempo de reflexão, de busca pela verdade e, para alguns, de acerto de contas com a justiça. Espera-se que, daqui até a Páscoa, a "boa nova" não seja apenas um rito religioso, mas a restauração da realidade.
Punir criminosos é dever elementar do Estado; perseguir inocentes com provas forjadas é crime de lesa-pátria. Na 'Sapucaí das investigações', a apuração mal começou, e tanto a Polícia Judiciária quanto o Ministério Público acabam de perder pontos preciosos no quesito honestidade. Mas o desfile ainda não terminou: essas instituições ainda podem buscar a redenção e o título de campeãs. Para isso, basta o básico: fazer a coisa certa.
Porto Velho/RO, Quarta-feira de Cinzas/2026.
Daniel Pereira, ex-governador e uma das vítimas da criminosa Operação Pau Oco.
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