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Domingo, 11 de Janeiro de 2026

Cacoal

Centenas de exames aguardam retirada em Cacoal após campanha de prevenção ao câncer

Mesas repletas de envelopes lacrados revelam um paradoxo preocupante na sede da Assdaco

Hoje Amazônia
Por Hoje Amazônia
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Centenas de exames aguardam retirada em Cacoal após campanha de prevenção ao câncer
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Mesas repletas de envelopes lacrados revelam um paradoxo preocupante na sede da Assdaco (Associação Assistencial à Saúde de Cacoal): enquanto o acesso a exames preventivos continua sendo um desafio para muitos brasileiros, centenas de resultados permanecem esquecidos após uma campanha gratuita realizada há quase 30 dias.

O mutirão de saúde, promovido em 13 de dezembro do ano passado, ofereceu à comunidade exames essenciais para detecção precoce de cânceres, incluindo mamografias, ultrassonografias e dosagens de PSA para prevenção do câncer de próstata. A iniciativa atraiu dezenas de participantes que, até o momento, não retornaram à instituição para conhecer seus diagnósticos.

Um problema que vai além dos números
Para Aparecida Miranda, mais conhecida como Cidinha, representante da associação, a situação representa muito mais que um contratempo administrativo. Trata-se de uma questão que toca simultaneamente aspectos financeiros, logísticos e, principalmente, de saúde pública.

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“Cada centavo investido nessa campanha veio de leilões beneficentes, eventos comunitários e doações. É o esforço coletivo sendo transformado em cuidado. Quando alguém deixa de buscar seu exame, todo esse trabalho fica incompleto”, explicou Cidinha, que acompanhou de perto toda a organização do evento ao lado da jornalista Giliane Perin.
A mobilização para viabilizar o mutirão envolveu não apenas recursos financeiros, mas também a articulação de profissionais, equipamentos e toda uma estrutura montada especificamente para atender a demanda concentrada em um único dia.

O silêncio que pode custar caro
Contudo, o aspecto mais preocupante dessa história não está nos números contábeis, mas nas consequências médicas. Muitos dos pacientes que realizaram exames já tinham consultas de retorno agendadas, procedimentos complementares programados ou até mesmo ressonâncias magnéticas marcadas como parte de um acompanhamento mais amplo.

Sem os laudos em mãos, essas pessoas estão, literalmente, perdendo o timing ideal para iniciar tratamentos, confirmar diagnósticos ou descartar suspeitas. O fluxo de atendimento cuidadosamente planejado pela campanha fica interrompido, e com ele, as chances de um desfecho favorável podem diminuir.

“O diagnóstico precoce é uma ferramenta poderosa, mas ela só funciona quando o paciente fecha o ciclo: faz o exame, busca o resultado e procura orientação médica. É uma corrente que não pode ser quebrada”, alerta a representante da Assdaco.

Um apelo urgente
Diante do cenário, a associação intensifica o chamado para que todos os participantes da campanha compareçam com urgência à sede da instituição. O recado é direto: retirar o exame não é apenas cumprir uma burocracia, mas assumir o protagonismo no cuidado com a própria vida.

Em uma época em que a medicina preventiva se consolida como a estratégia mais eficaz contra doenças graves, deixar um envelope fechado sobre uma mesa pode significar desperdiçar uma oportunidade que, literalmente, pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

A Assdaco permanece de portas abertas, aguardando que cada paciente complete sua jornada de cuidado. Afinal, o investimento já foi feito — pela comunidade, para a comunidade. Agora, resta aos beneficiários honrarem esse gesto de cidadania com o compromisso mais fundamental de todos: cuidar de si mesmos.

FONTE/CRÉDITOS: Tribuna Popular Cacoal Ro
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