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Domingo, 11 de Janeiro de 2026

Policial

Indícios apontam atuação coordenada de influenciadores em defesa do Banco Master

Empresa associada a Daniel Vorcaro teria buscado criadores de conteúdo para atacar a liquidação da instituição financeira

Hoje Amazônia
Por Hoje Amazônia
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Indícios apontam atuação coordenada de influenciadores em defesa do Banco Master
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Influenciadores alinhados à direita divulgaram, de forma articulada, vídeos nas redes sociais em defesa do Banco Master e com críticas à condução do Banco Central no processo de liquidação da instituição financeira.

A mobilização teve início em 19 de dezembro, um dia após a divulgação de uma reportagem do portal Metrópoles que revelou a existência de supostos “sinais de precipitação” por parte do Banco Central, segundo avaliação do Tribunal de Contas da União (TCU). Diante disso, o órgão concedeu prazo de 72 horas para que o BC prestasse esclarecimentos.

Na mesma data, pelo menos três influenciadores publicaram vídeos em formato de reels no Instagram com linguagem visual padronizada, discurso alinhado e horários de postagem muito próximos. Todos os conteúdos utilizavam a reportagem do Metrópoles como referência, exaltavam a atuação do TCU, questionavam a legalidade das medidas adotadas pelo Banco Central e acusavam a imprensa tradicional de distorcer os fatos.

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Entre os perfis que adotaram essa abordagem estão Marcelo Rennó, com cerca de 50 mil seguidores; Firmino Cortada, com mais de 2 milhões; e Paulo Cardoso, que soma mais de 4 milhões de seguidores. O vídeo publicado por Rennó chegou a ser compartilhado pelo jornalista Luiz Bacci, que possui uma audiência superior a 24 milhões de seguidores.

A revista Oeste apurou que um intermediário da área de comunicação entrou em contato com influenciadores oferecendo contratos para divulgação de conteúdos políticos e financeiros, impondo cláusulas rigorosas de sigilo. Os acordos teriam duração mínima de três meses, com remuneração variável conforme alcance e engajamento, podendo atingir valores elevados.

Mensagens e áudios obtidos por fontes indicam que, antes mesmo da formalização dos contratos, os influenciadores eram obrigados a assinar termos de confidencialidade para só então ter acesso à identidade do cliente. Em pelo menos uma situação, a proposta foi rejeitada de imediato.

O agente responsável pelas abordagens atuaria em nome da Miranda Comunicações, empresa contratada para prestar serviços ao Banco Master. Embora o nome do controlador da instituição não conste oficialmente nos contratos, Daniel Vorcaro aparece citado como “cliente” em comunicações privadas trocadas com influenciadores.

Em publicações públicas nas redes sociais, Firmino Cortada figura como cliente da Miranda Comunicações, responsável por captar influenciadores para campanhas ligadas ao Banco Master. Além disso, conteúdos já publicados foram enviados pelo próprio agenciador a outros criadores, com a orientação de que seguissem o mesmo formato e estilo. Entre os exemplos mencionados estavam Paulo Cardoso, Marcelo Rennó, André Dias e Carol Dias.

A reportagem teve acesso a um dos contratos firmados. Apesar de o documento declarar que o influenciador teria liberdade editorial, a análise detalhada das cláusulas aponta limitações relevantes a essa autonomia.

Entre as exigências previstas estão o cumprimento de diretrizes editoriais fornecidas pela contratante, a necessidade de aprovação prévia do conteúdo antes da publicação, a possibilidade de substituição de pautas em caso de divergência editorial e cláusulas amplas de confidencialidade, com multas que podem chegar a R$ 1 milhão.

Especialistas ouvidos pela revista explicam que a contratação de influenciadores, por si só, não configura ilegalidade. Contudo, a ausência de identificação clara de conteúdo patrocinado pode caracterizar publicidade enganosa por omissão, contrariando o Código de Defesa do Consumidor e as normas das próprias plataformas digitais.

No caso de jornalistas, a prática pode ferir o Código de Ética da profissão, que proíbe a submissão da informação a interesses econômicos e exige a divulgação de conflitos de interesse.

Redes como Instagram, YouTube e X determinam expressamente que conteúdos pagos devem ser identificados como publicidade ou parceria patrocinada. O descumprimento dessas regras pode gerar sanções administrativas, além de ampliar riscos de responsabilização civil e, em casos extremos, penal.

Procurado, o Banco Master não respondeu até o fechamento da reportagem.

Firmino Cortada confirmou ter recebido uma proposta da agência associada a Daniel Vorcaro, mas negou qualquer vínculo com o Banco Master. “Minhas postagens são autênticas e independentes, sem interferência, orientação ou pagamento de terceiros”, afirmou.

Carol Dias também respondeu à reportagem e negou ter contrato com a agência. A Oeste segue tentando contato com Paulo Cardoso e Marcelo Rennó

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