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Terça, 09 de março de 2021
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Agro

Alimentos brasileiros que correm risco de extinção

 O queijo da Canastra, iguaria mineira, está entre os produtos que, daqui a uns anos, podem sumir da mesa do brasileiro.

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Araticum, bijajica, alfenim, cambucá, ariá, abiu, grumixama. Pode parecer que estamos falando outro idioma, mas essas são palavras que não poderiam ser mais brasileiras. Trata-se de elementos naturais da nossa terra e que, por diferentes motivos, estão ameaçados de extinção.

Chega a ser estranho pensar que, em meio a uma diversidade tão grande de produtos nativos de nossa terra, parte significativa da população consuma sempre os mesmos itens. Por que será que tantos outros, como esses citados acima, são desconhecidos para muitos e correm o risco de desaparecer?

A Slow Food é uma organização fundada na Itália, que tem como missão defender a biodiversidade alimentar e tradições gastronômicas em todo o mundo, além de promover um modelo sustentável de agricultura. A fundação criou um catálogo mundial chamado “Arca do Gosto”, que conta com mais de 3.500 alimentos, divididos em raças animais, frutas e hortaliças, de diversas partes do mundo, que correm risco de desaparecimento de culturas e tradições gastronômicas. Desse total, cerca de 130 produtos são brasileiros. (Este número pode ser muito maior por falta de conhecimento de todas frutíferas e alimentos nativos)

 O queijo da Canastra, iguaria mineira, está entre os produtos que, daqui a uns anos, podem sumir da mesa do brasileiro.

Confira alguns alimentos que, apesar de bem conhecidos por parte da população brasileira, correm risco de desaparecer:

Jabuticaba

Uma frutinha pequena, de casca preta, polpa branca e sabor bem adocicado. A jabuticaba é um verdadeiro tesouro, mas que não chega a muitas pessoas por ter uma vida útil breve. Por ser rica em açúcar e fermentar rapidamente, ela dura apenas três dias, o que torna difícil comercializá-la. Para quem é sortudo em ter uma jabuticabeira por perto, vale a pena não apenas se deliciar com a fruta, como também fazer geleias, vitaminas e molhos com a casca.

Umbu

O umbu é um fruto típico da caatinga, no nordeste brasileiro, e corre risco de desaparecer devido à introdução da caprinovinocultura, principal fonte de renda das famílias da região. Com isso, não nasceram mais pés de umbuzeiro de forma espontânea por lá.

Palmito-juçara

Essa é a espécie de palmito mais consumida pelos índios da  Amazônia e que sofre com o risco de extinção devido aos métodos não sustentáveis que são utilizados para a sua extração.

Pinhão

Essa é uma semente da árvore araucária, que é símbolo da região Sul do Brasil e está em extinção. O pinhão é um alimento rico em fibras e com pouca gordura.

Amêndoa de baru

O barueiro é uma árvore típica do cerrado que está em extinção devido à extração da sua madeira e a transformação das áreas onde se encontram em grandes espaços de monocultura, principalmente da soja.

Guaraná-nativo

Uma semente tipicamente brasileira e que é uma das nossas riquezas naturais, o guaraná sofre o risco de empobrecer geneticamente. Para evitar que isso aconteça, um projeto do Slow Food protege essa cultura e profissionais da fundação criaram técnicas adequadas de plantio do guaraná.

Mel de jandaíra

A jandaíra é uma espécie de abelha sem ferrão natural da caatinga, local que oferece condição favorável para ela, mas que vem sofrendo com a ação do homem. O mel da jandaíra é considerado especial por ser mais líquido e menos açucarado em comparação com o fabricado por outras espécies.

Pirarucu

A espécie é um dos maiores peixes de água doce e fluvial do Brasil. O grande problema é que o pirarucu se tornou uma das maiores presas da pesca predatória na Amazônia. Apenas o manejo sustentável, que vem sendo incentivado por alguns pescadores da região, pode salvar o pirarucu.

Ora-pro-nóbis

Essa é uma planta que, apesar de não sofrer risco de desaparecimento biológico, entrou na lista por ser pouco valorizada na gastronomia. Embora cresça com facilidade, especialmente em Minas Gerais, ela é pouco utilizada até mesmo entre os mineiros. O ora-pro-nóbis é tão rico em proteínas que chega a ser considerado uma carne vegetal.

Pequi

O pequi é outro fruto do devastado cerrado brasileiro. A extração intensa na região impede a semeação da espécie, o que faz com que ela corra risco de ser extinta.

Pitanga

Uma fruta popular e que ainda assim está listada na “Arca do Gosto”. O problema em relação à pitanga não é a plantação, e sim o transporte. Como a fruta é um alimento delicado, é complicado fazer com que ela chegue ao consumidor final. Por isso, acaba sendo consumida apenas por quem tem uma pitangueira por perto.

Queijo Canastra

Esse não é um queijo como os outros. O queijo da Serra da Canastra só pode ser feito por alguns produtores dessa região do estado de Minas Gerais e recebe um selo especial. Essa restrição garante a qualidade do produto, mas também gera dois grandes problemas: o primeiro é a dificuldade de transportar o alimento feito com leite cru para outros Estados. O segundo é que os filhos dos produtores atuais não têm demonstrado interesse em continuar a atividade dos pais, por não ser algo tão rentável financeiramente, e preferem seguir outras profissões. Com isso, a produção do queijo, que é altamente artesanal, tem sofrido uma queda.

Outros queijos que estão na lista: queijão de Morro Vermelho, branco, coalho de cabra da caatinga, colonial, colonial diamante, parmesão da Mantiqueira, serrano, serrano dos campos de cima da serra.

Arroz vermelho

Pode ser difícil de acreditar, mas esse foi o primeiro tipo de arroz cultivado no Brasil, ainda na época colonial. Ao longo do tempo, ele perdeu lugar para o arroz agulhinha branco, o mais consumido pelos brasileiros. De acordo com a Arca do Gosto, atualmente, a área cultivada do vermelho é um terço do que já foi no passado e se, ainda assim, a produção não acompanhar uma maior demanda, o preço do arroz pode subir e prejudicar os paraibanos, povo que mais cultiva e consome o grão.

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