Às vezes paro no meio do dia e me pergunto se os sonhos que carrego ainda são realmente meus. Ou se fui, aos poucos, aprendendo a desejar aquilo que o mundo inteiro manda desejar.
A felicidade mudou de rosto muitas vezes ao longo da história. Hoje, talvez tenha se transformado em mercadoria. Basta ligar a televisão, abrir uma rede social ou passar diante de um outdoor para surgir alguém dizendo o que precisamos comprar para sermos felizes.
O carro novo, o corpo perfeito, a casa ideal, a viagem dos sonhos. Tudo parece estar à venda, inclusive a sensação de realização. E mesmo sabendo que quase nada disso dura, seguimos consumindo, como se o ato de comprar pudesse preencher alguma ausência mais profunda.
Talvez o problema seja que passamos tanto tempo ouvindo o que deveria nos fazer felizes que já quase não sabemos mais o que realmente queremos. A rotina ocupa nossos dias, o barulho ocupa a mente, e sobra pouco espaço para olhar para dentro.
Então aceitamos sonhos prontos. Desejos fabricados. Felicidades moldadas em série.
Mas vale a pergunta: quantos dos nossos sonhos nasceram de nós mesmos? E quantos apenas vimos repetidos tantas vezes que aprendemos a desejar?
No fim, talvez felicidade tenha menos relação com possuir coisas e mais com reconhecer quem somos. Há uma satisfação silenciosa em caminhar por um caminho escolhido por vontade própria, mesmo com dificuldades.
Porque a verdade é simples e dura: o mundo passa a vida inteira nos ensinando a comprar coisas que não precisamos para preencher vazios que ele mesmo criou
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