Os proprietários da Mediall Brasil, responsável pela gestão do Hospital Regional de Guajará-Mirim, foram presos pela Polícia Federal na quarta-feira (15), em Goiás. Hilton Rinaldo Salles Piccelli e Rudson Teodoro da Silva são investigados por supostos crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro relacionados a fraudes com recursos públicos durante a pandemia. Um terceiro sócio, Roberto Leandro Carvalho, está foragido.
A empresa chegou a ser escolhida pela gestão do governador Marcos Rocha (PSD) para assumir unidades de saúde em Porto Velho, em um contrato de grande porte. A proposta previa a transferência da administração de hospitais, como o João Paulo II, à iniciativa privada, mas acabou sendo cancelada após reação de servidores e sindicatos ainda em 2025.
Mesmo após o recuo na capital, a Mediall continua atuando em Guajará-Mirim e é considerada pelo governo estadual como um modelo de gestão. No entanto, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RO) já havia identificado irregularidades e determinado a realização de licitação no prazo de 30 dias, medida que não foi cumprida pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).
Com o término do contrato em fevereiro de 2026, a pasta firmou um novo acordo emergencial com a mesma empresa, no valor de R$ 110 milhões, cerca de R$ 20 milhões a mais que o anterior, sem justificativa detalhada.
O TCE investiga possível configuração de “emergência ficta”, quando há omissão administrativa para justificar contratação sem licitação, além de suspeitas de favorecimento. O órgão fixou novo prazo de 60 dias para regularização, sob pena de multa.
As investigações conduzidas pela Polícia Federal em Goiás apontam que organizações sociais ligadas ao grupo teriam inflado contratos, precarizado serviços e pago propina a agentes públicos responsáveis pela fiscalização.
As operações, batizadas de Makot Mitzrayim e Rio Vermelho, apuram o uso de empresas de fachada para desviar recursos da saúde em diferentes estados.
Até o momento, o Governo de Rondônia e a Sesau não se manifestaram sobre os critérios que levaram à escolha da Mediall Brasil, o aumento no valor do contrato emergencial nem sobre os impactos da investigação no atendimento do Hospital Regional de Guajará-Mirim.
*Com informações do Rondoniaovivo.
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