O BRASIL DOS DESVALIDOS sabe: quem nasceu no campo entende que a casa própria não é apenas um bem, é um divisor de águas. Minha trajetória — que é a de milhões de brasileiros — cruza essa mesma trilha. Lembro-me da primeira casa "minimamente decente" que tivemos em Rondônia; erguida a quatro mãos, por mim e meu irmão, com o reforço de um amigo. Não era um palacete, longe disso, mas era a vitória sobre o precário.
ESSA MEMÓRIA AFLORA agora, diante da agenda do senador Confúcio Moura com o Ministério das Cidades em Porto Velho. A entrega de moradias populares traz de volta o eco de Tancredo Neves na redemocratização: "Enquanto existir alguém sem pão, sem teto e sem letras, todo progresso será nulo". Um bordão que, décadas depois, ainda dita a urgência do real.
OS NÚMEROS NÃO MENTEM e, na política, eles costumam ser o melhor argumento. Na parceria com a então presidente Dilma Rousseff, o então governador Confúcio Moura entregou 25 mil unidades em Rondônia. As contas são claras: 100 mil pessoas beneficiadas. É um exército de mães e filhos que saiu da intempérie para a proteção do Estado. Em termos estatísticos, um em cada 18 rondonienses foi alcançado por esse mutirão.
O FATO POLÍTICO É UM SÓ: os governos do PT entregaram, nacionalmente, mais habitação popular do que as cinco décadas anteriores somadas. No microcosmo de Rondônia, Confúcio repetiu o feito, superando a marca de todos os seus antecessores juntos.
É O "CAMINHO CERTO"? A demanda reprimida ainda é um oceano, é verdade. Mas entre o discurso e a chave na mão, os resultados de Confúcio e do PT, no Brasil e em Rondônia são mais do que propaganda; são a concretização, tardia mas necessária, do princípio da dignidade humana.
Daniel Pereira. advogado e ex-governador de Rondônia (2018).
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