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Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2026

Saúde

Hospital de BH é condenado a pagar R$ 200 mil a enfermeira que trabalhava até 119 horas semanais

Juiz considerou que profissional era submetida a condições análogas à escravidão

Hoje Amazônia
Por Hoje Amazônia
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Hospital de BH é condenado a pagar R$ 200 mil a enfermeira que trabalhava até 119 horas semanais
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A Justiça do Trabalho condenou um hospital de Belo Horizonte a pagar indenização de R$ 200 mil a uma enfermeira submetida a jornadas exaustivas e a condições análogas à escravidão em um ambulatório de transplantes. A decisão, divulgada nesta quarta-feira (28/1), reconheceu a rescisão indireta do contrato de trabalho e garantiu à profissional o pagamento de horas extras, adicionais e descansos semanais em dobro.

No processo, a enfermeira relatou que atuava no ambulatório de transplantes com jornada diária das 7h às 17h, atendendo cerca de 20 pacientes por dia, além de realizar tarefas burocráticas e organizar procedimentos complexos. Segundo ela, nas semanas de captação, era obrigada a permanecer de sobreaviso das 17h às 7h do dia seguinte, podendo ser acionada de madrugada e, ainda assim, iniciar o expediente normal pela manhã, sem qualquer compensação de descanso.

Em média, segundo a profissional, ela chegava a cumprir até 119 horas semanais, rotina agravada durante férias de colegas, quando a equipe reduzida assumia a carga extra. “O trabalho era contínuo, cansativo e sem mecanismos institucionais de alívio ou reposição”, contou.

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A defesa do hospital negou as acusações da autora da ação, mas, de acordo com o laudo pericial e depoimentos colhidos, a profissional chegava a cumprir jornadas semanais de até 119 horas, sem descanso compensatório. As tentativas de revisão da escala foram negadas pela direção e, desde 2006, os trabalhadores do setor de captação de órgãos estariam submetidos ao mesmo regime, considerado insustentável e prejudicial à saúde.

Ao examinar o laudo pericial, a juíza Karla Santuchi, titular da 4ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte, deu razão à autora. No entendimento da magistrada, as condições exaustivas de trabalho ficaram evidenciadas no caso, diante da privação de descansos, com jornadas superiores a 14 horas diárias.

A magistrada ressaltou que todas as tentativas de adequar a escala aos parâmetros de razoabilidade e legalidade foram barradas dentro do hospital. “Desde 2006, ou seja, há quase 20 anos, os trabalhadores ligados à captação de órgãos têm sido submetidos a condições totalmente inaceitáveis de trabalho”.

Com base nesse entendimento, a juíza condenou o hospital ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 200 mil. Ao fixar o valor da indenização, a magistrada levou em conta a gravidade da lesão, o porte da empresa, a necessidade de atuação do Judiciário para coibir novas violações, a reincidência dos empregadores em desrespeitar direitos trabalhistas, além do salário da trabalhadora e do longo período de serviço prestado: mais de 21 anos.

Na sentença, a magistrada reconheceu também a rescisão indireta do contrato de trabalho em maio de 2024, com o pagamento das parcelas devidas à trabalhadora. A julgadora deferiu ainda à trabalhadora o pagamento de horas extras e adicionais (sobreaviso, captações, intervalos suprimidos, intrajornadas e noturno), além do pagamento em dobro dos descansos semanais não concedidos. O hospital recorreu da decisão.

Recurso

Em decisão unânime, os julgadores da 11ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MG) modificaram parcialmente a sentença, acompanhando o voto da relatora do recurso, juíza convocada Ângela Castilho Rogêdo Ribeiro. Ela afastou a condenação do hospital ao pagamento do adicional de 50% sobre o tempo em que a enfermeira participou de procedimentos de captação dentro da jornada normal de trabalho.

Os julgadores decidiram também reduzir o valor dos honorários periciais para R$ 5 mil e aumentar o valor dos honorários dos advogados do hospital para 15% sobre os pedidos rejeitados, com cobrança suspensa por dois anos. Eles mantiveram o valor da indenização por danos morais, fixado em R$ 200 mil.

FONTE/CRÉDITOS: OTEMPO.COM.BR
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