Enquanto alguns políticos mal intencionados preferem transferir a culpa para terceiros em vez de procurar soluções, outros optam pela verdade, pela realidade e apontam soluções. O senador Confúcio Moura (MDB-RO) não esconde a situação, revela que toda a bancada federal tratou do assunto, ao contrário do que afirmou o coordenador Maurício Carvalho (União Brasil). O advogado e ativista Samuel Costa (Rede), afirmou que a situação é uma realidade quase irreversível, apontando que os políticos envolvidos podem lutar pela redução do valor do pedágio que ele classifica como um dos mais altos do Brasil.
Confúcio Moura nunca negou que foi favorável à concessão, posição que sempre foi pública. O apoio se baseou em um argumento central: a BR-364 é uma das rodovias mais perigosas de Rondônia, com um histórico grave de acidentes e perdas de vidas ao longo dos anos. Para o senador, investir na melhoria da infraestrutura, da sinalização e da manutenção da rodovia é uma medida necessária para preservar vidas.
O senador destacou que parlamentares não têm poder legal para conceder rodovias, definir valores de pedágio ou escolher empresas concessionárias. Essas decisões cabem ao Poder Executivo federal e às agências reguladoras, sempre sob a fiscalização dos órgãos de controle.
“A preocupação da população com o valor do pedágio é considerada legítima e necessária. A legislação prevê mecanismos de fiscalização, revisão de tarifas e questionamentos administrativos ou judiciais caso haja desequilíbrio contratual ou descumprimento das obrigações previstas no contrato de concessão“, disse o senador.
Desmentindo recente entrevista do coordenador da bancada federal Maurício Carvalho, o senador ressaltou que “não corresponde à verdade atribuir a um único parlamentar a responsabilidade exclusiva pela concessão ou pelo preço do pedágio. Trata-se de uma decisão de Estado, construída ao longo de anos, envolvendo diferentes governos, órgãos técnicos e instâncias de controle“.
Demonstrando que parte da bancada federal não está tão preocupada, alguns preferiram tomar chuva e correr risco de vida numa caminhada antidemocrática em Brasília, do que protestar em Porto Velho contra o alto valor do pedágio.
Samuel Costa”: ”a conta chegou”
Destacando a enganação política e jurídica sobre o pedágio da BR-364, o mais caro do Brasil, o advogado e pré-candidato ao governo de Rondônia Samuel Costa fez duras críticas à forma como setores políticos vêm tratando a concessão e a cobrança de pedágio na BR-364, classificando como “politicagem vazia” as ações judiciais simbólicas e caminhadas que, segundo ele, não enfrentam o problema real nem produzem efeitos concretos para a população.
Para Samuel, parte da sociedade prefere narrativas confortáveis e ilusórias em vez de encarar a verdade dos fatos. “Nem sempre a população quer ouvir a verdade. Muitos preferem falsas promessas e mentiras embaladas como soluções fáceis”, afirmou.
Segundo ele, a concessão da rodovia à empresa Nova 364 é resultado de um projeto concebido ainda em 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro, com forte protagonismo do então ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas. “Essa maluquice foi idealizada lá atrás e só penaliza a população. O erro está na origem”, destacou.
Samuel Costa também apontou inobservância e omissão da atual bancada federal de Rondônia, que, de acordo com ele, permitiu a implementação do modelo sem o devido enfrentamento político e técnico. O resultado, afirma, é uma das tarifas de pedágio mais caras do Brasil, aplicada sobre uma rodovia que sequer foi duplicada.
“O tempo de refutar no papel já passou. A empresa joga pesado, tem respaldo jurídico e econômico. Caminhadas e ações judiciais sem estratégia servem mais para enganar o povo do que para resolver o problema”, criticou.
Para Samuel, a única medida com potencial real de pressão seria uma mobilização direta e contundente, como a interdição da rodovia por algumas horas ou dias, com o objetivo de forçar a revisão do valor cobrado. “É duro dizer isso, mas o povo só aprende quando sente no bolso. A conta chegou”, afirmou.
Ele classificou o atual modelo de concessão como “pitoresco”, por transferir os custos imediatamente à população sem garantir, antes, a contrapartida básica de infraestrutura. “Cobrar caro por uma rodovia não duplicada é inverter a lógica do interesse público”, concluiu.
A fala de Samuel Costa reacende o debate sobre a concessão da BR-364 e expõe o contraste entre ações de impacto midiático e medidas efetivas de pressão política, em um tema que afeta diretamente o cotidiano e a economia de Rondônia.
Da redação
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