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Terça, 09 de março de 2021
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Agro

Piscicultor Carlos Castilho,de Porto Velho, planeja espalhar os peixes amazônicos pelo Brasil e o mundo

O produtor de Porto Velho (RO) chegou à região Norte ainda criança e aprendeu a utilizar as vocações da região para fortalecer o seu negócio

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Natural do Paraná, Carlos Castilho passou a infância brincando na roça, em meio às colheitas de soja, milho e café que o pai plantava. Até que em 1975, por força da natureza, a história de sua família mudou.

“Em 75 houve aquela geada grande, que acabou dizimando todo os cafezais do estado. O pai tava com o cafezal todo florido, esperava uma grande safra e de repente aquilo se acabou. Então ele falou assim: ‘vamos para um lugar que não geia’. Aí ele migrou para o Norte”, conta Carlos. Primeiro, a família se estabeleceu em Boca do Acre, Amazonas. Carlos, que chegou à região com apenas 10 anos de idade, cresceu e se casou por ali. Acostumado a trabalhar na pecuária e no comércio com o pai, decidiu se mudar para Rondônia para tocar o próprio negócio.

“Em Porto Velho, a gente foi mexer com pecuária e comércio. A vocação nossa sempre foi a pecuária. Tava no coração ser pecuarista, criar o gado, engordar o boi”, diz. Com o tempo, a piscicultura começou a chamar sua atenção. “A pecuária tem as áreas de pasto e no alagado, nas áreas antropizadas, a nossa Secretaria de Meio Ambiente autoriza a construção de tanque para peixe. Eu fui estudando a piscicultura e em 2003 vi a necessidade de começar justamente por ter essas áreas ociosas. Comecei com um negocinho pequeno e fui crescendo. Aqui tem um nicho de mercado, e a piscicultura cresceu no estado de Rondônia. O peixe tá no curso d'água e o boi tá no pasto. São duas atividades muito gratificantes aqui para nossa região", explica Carlos.

Embora a piscicultura ainda seja relativamente nova e não figure entre as principais indústrias do agronegócio brasileiro, o produtor acredita que o potencial é enorme. "A piscicultura é uma atividade em que o pequeno pode se tornar grande produtor de alimento. Em um hectare ele pode chegar a produzir 8 toneladas de peixe. Na pecuária, eu vou conseguir produzir 180 kg de boi por hectare. Se eu multiplicar o quilo do peixe vezes 8 mil, vou ter uma rentabilidade muito superior à pecuária, com menos espaço”, explica.

“A piscicultura é apaixonante. É um animal que a gente vivia pescando, predando os rios. Nós podemos ter ele ali, dentro de um cativeiro, produzido de forma ecologicamente correta. Eu pego um alevino e transformo em um peixe grande, maravilhoso, em pouco tempo. Um pirarucu, por exemplo, em 11 meses chega a 10 kg. Um tambaqui, em 11 meses, chega a 3kg. Na natureza, a gente espera 5,10 anos por um peixe desse”.

Com produção de 8 toneladas de peixe a cada hectare, Carlos fez sua primeira exportação de pirarucu em 2010. “Saiu pirarucu daqui da propriedade, foi para Itaporã e de lá e para Suíça, Alemanha, Estados Unidos. A aceitação foi fantástica. O tambaqui, inclusive, ganhou o festival de Bruxelas há uns anos atrás como melhor peixe do festival”. Para 2021, as metas são ainda mais ambiciosas. O próximo projeto é montar uma cooperativa de produtores, com frigorífico próprio, capaz de aumentar a escala de produção.

“Hoje, por exemplo, Rondônia produz 40 mil toneladas de peixe. O Brasil, se for comer um bife de peixe por dia, come esse peixe de Rondônia em um mês. O tambaqui e o pirarucu, dois peixes que são obrigatórios de serem criados aqui na região pela questão do clima, precisam de calor e de água quente. O tambaqui é um peixe excelente, sabor inigualável, e aceita o tempero que a gente colocar nele. O pirarucu, muita gente fala que é o bacalhau brasileiro. Uma empresa norueguesa está nos assessorando para colocar a mesma tecnologia usada no bacalhau e usarmos no pirarucu. É o nosso foco agora, para 2021, focar na produção desse 'bacalhau tropical'. Quem degusta um bacalhau dessalgado vai adorar. Ele tem potencial para conquistar qualquer paladar do Brasil e do mundo”, sonha alto. É melhor não duvidar.

FONTE - G1 RONDONIA

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