Estudo publicado na revista científica inglesa The Lancet indica que o Programa Bolsa Família evitou mais de 713 mil mortes e 8,2 milhões de internações. Os maiores beneficiados são crianças menores de cinco anos e idosos com mais de 70 anos.
O estudo, publicado nesta quinta-feira, 29/5, estima que aumentar a cobertura do Bolsa Família pode evitar mais de 8 milhões de hospitalizações e 683.721 mortes até 2030, em comparação a cenários de cobertura reduzida. Foram analisados dados de 3.671 municípios, representando mais de 87% da população brasileira, entre 2000 e 2019.
A pesquisa Efeitos do programa brasileiro de transferência condicionada de renda na saúde ao longo de 20 anos e projeções até 2030: um estudo retrospectivo de análise e modelagem foi conduzida por pesquisadores do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE-Fiocruz) e Universidade de Barcelona. A manutenção do benefício exige, como contrapartida, a vacinação das crianças e frequência escolar.
Os dados confirmam, em escala nacional, a correlação entre alta cobertura (percentual de famílias elegíveis atendidas), alta adequação (valor médio transferido por família) e queda de mortalidade. Nessas condições, a mortalidade infantil caiu 33% e as internações de idosos acima de 70 anos foram reduzidas pela metade.
Primeiro estudo longitudinal a calcular o impacto nacional do programa de transferência condicional de renda na mortalidade brasileira, a pesquisa confirma correlação já observada em escala local/regional. Os dados reforçam que a Saúde tem relação direta com variáveis como renda, moradia, nutrição e saneamento.
Fonte: Ascom/Cofen - Clara Fagundes
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