Acontece hoje, quinta, seis de maio, mais um reunião envolvendo pequenos e médios produtores de leite de Rondônia, representados pela Federação da Agricultura e Pecuária de Rondônia, lideres ruralistas, representantes do Governo de Rondônia e de instituições federais, estaduais e municipais.
Como se esperava, diversos pequenos municípios onde a pecuária leiteira é o fator de equilíbrio econômico no comercio e serviços, apresenta sinais de forte retração. Considerando injusto o preço pago pelas indústrias, os pequenos e médios produtores suspenderam fornecimento aos laticínios. Apesar de ficarem sem a renda mensal gerada pela produção de leite, o reflexo da retirada de dinheiro em circulação é muito maior na cidade do que no campo, principalmente porque o leite não é a única fonte de renda dos produtores rurais.
Hélio Dias, presidente da FAPERON, disse que a paralisação do fornecimento do leite ainda permanece em diversos pontos e não foram poucos os que abandonaram a pecuária leiteira. “Alguns estão voltando a atividade após nova negociação de preços, com os valores padrão do leite de referência do Conseleite fixado em R$1,30, mais as bonificações de qualidade, fidelidade e outros benefícios.”, frisou Dias.
O presidente da FAPERON esclareceu que a meta dessa reuniao é reiniciar as discussões sobre os problemas que afetam o setor, ainda nesse momento de crise; “É preciso achar mecanismos que criem caminhos e soluções possíveis. Dependemos de planejamento estratégico capaz de evitar os mesmos problemas de baixos preços no período de grande oferta de leite in natura, sempre de fevereiro a maio, todos os anos. Todos os anos, todos os anos...” lamentou o presidente da Faperon.
INDUSTRIAS PRECISAM SE “REINVENTAR”
No entendimento do presidente da Faperon, que acompanha a evolução da produção rural em Rondônia há mais de três décadas, é preciso reconhecer que as industrias de transformação de alimentos também foram impactadas pela crise gerada na pandemia. Entretanto, Dias observa que não se deve esperar “normalidade” futura. Hoje 80% do leite de Rondônia é transformado em mussarela. As pessoas mudaram os hábitos e mussarela, até para a classe média, não é produto de primeira necessidade. Existe mais oferta que procura. As indústrias lácteas precisam melhorar seu mix de produtos, buscar vias de exportação, diminuir custos. Esse modelo atual é o mesmo há décadas”, comenta Hélio Dias, observando que o mundo não é, hoje, o mesmo de ontem e será muito diferente amanhã. “Precisamos reaprender muita coisa. Inclusive sobre os novos hábitos de consumo do povo brasileiro”, enfatizou o líder classista.
O evento de hoje é on-line e o link da videochamada é: https://meet.google.com/yhk-fykm-mnq.
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