A marcha carnavalesca Máscara Negra não toca apenas nos ouvidos; ela abre portas dentro da memória. Sempre me emociono quando escuto. Sempre. A música começa e já não estou mais no presente.
Faço uma viagem ao passado. Não a um passado exato, de datas e calendários, mas a um tempo inteiro guardado dentro de mim, uma rua iluminada, serpentinas pelo chão, risos que ainda não sabiam que virariam saudade.
Ela fala de despedida, mas ninguém sofre. Porque ali a separação não dói, ela preserva. Cada verso parece segurar um instante para que o tempo não leve embora de vez aquilo que fomos. Por alguns minutos tudo reaparece sem esforço, sem dor, apenas como quem visita um lugar onde foi feliz e descobre que ele ainda existe.
Não existe carnaval sem alegria, mas também não existe alegria sem lembrança. E é por isso que, ao soar a melodia, cada pessoa encontra um pedaço de si, um amor antigo, um amigo que ficou na esquina do passado, uma juventude inteira caminhando de braços dados com a noite.
Algumas músicas envelhecem.
Outras viram época.
Máscara Negra virou lugar.
E quando termina, a gente volta devagar.
Mas nunca volta igual.
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