O umbuzeiro é uma árvore do tempo lento e da paciência profunda. Cresce sem alarde, tronco retorcido, casca áspera, como se o corpo tivesse aprendido cedo a se defender do excesso de sol e da falta de água. Não é alto por ambição, mas largo por sabedoria: abre a copa para segurar sombra e descanso, não para disputar céu. Suas raízes descem fundo e guardam água no próprio corpo, em batatas subterrâneas invisíveis. Por isso, quando tudo ao redor seca, ele permanece verde. O sertão confia nele. Homens, bichos e lembranças sabem onde encontrá-lo. Os frutos vêm pequenos e verdes, redondos na palma da mão. Primeiro azedos, depois doces no ponto certo. Matam a sede, alimentam, viram suco, doce, lembrança. Nada neles é sobra. O umbuzeiro não enfrenta a seca. Ele convive com ela. Não luta contra o sertão. Ele é o sertão em forma de árvore
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