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Sexta-feira, 17 de Abril de 2026

Cultura

O FUTURO, SEM MEDO

Crônica de Magno Barrreto

Hoje Amazônia
Por Hoje Amazônia
O FUTURO, SEM MEDO
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Um sábado, final da tarde, estou sentado aqui vendo minha filha, de seis anos, tomar banho na piscina.

 

A água bate leve, ela ri sozinha, inventa coisas que só existem naquele instante. E eu fico olhando.

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De repente, sem aviso, me vem um pensamento.

 

Daqui a vinte anos, ela vai ter vinte e seis.

 

Vem assim, inteiro. Não como conta, mas como um susto manso.

 

E eu, aqui, no mesmo banco, já não sou o mesmo.

 

Olho de lado e vejo um ferro redondo, desses que parecem disco de arado. À noite, colocam fogo dentro. Fica bonito, iluminando a beira da piscina.

 

E aquilo me leva longe.

 

Penso na Ipueira.

 

Penso nesses discos acesos, espalhados pelo terreiro, iluminando uma festa. Talvez o casamento dela. Música, gente chegando, mesa posta, risos soltos na noite.

 

E me pergunto, com uma calma que quase dói:

 

Será que eu vou estar lá?

 

Não é medo.

É medida.

 

Porque, em vinte anos, quase tudo muda.

 

Os nomes mudam.

O poder muda.

As certezas mudam.

 

Outros virão.

E também passarão.

 

Como todos passam.

 

O mundo não para.

 

A gente é que passa por ele.

 

E, enquanto penso nisso tudo, ela continua ali.

 

Mergulha. Some. Volta. Ri.

 

Viva.

 

Então eu entendo, com uma clareza que quase aperta o peito:

 

O futuro é só uma hipótese.

 

Mas este instante… não.

 

Este instante é tudo.

 

E eu estou dentro dele.

 

E ela também.

 

E, por agora,

 

isso basta.

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