Dependendo da marca e da região, o preço da caixa de leite do tipo “longa vida” beira os dez reais. Em Rondônia passa de sete reais e a impressão que se tem é que os produtores de leite vivem dias de bonança, o que é um grande engano. Em Rondônia o valor mínimo de referência estabelecido para a remuneração que os laticínios devem oferecer aos produtores rurais, está longe da média nacional, que é acima de R$ 2.50. Aqui, esse valor de referência é apenas R$ 1.96, que com os abonos chega, se muito, a R$ 2.04, considerado abaixo do custo de produção.
Os produtores considerados “grandes”, capazes de entregar acima de 250 litros por dia, recebem remuneração bem melhor, enquanto que os milhares de pequenos produtores, que sustentam a cadeia produtiva, continuam a margem da politica econômica praticada pelas indústrias.
Manifestação dos produtores de leite no ano passado
No ano passado os pequenos produtores protagonizaram uma série de movimentos de protestos buscam um equilíbrio das contas, mas segundo eles, “faltou vontade politica” para resolver a questão.
Estima-se que pelo menos dez mil pequenos produtores deixaram a atividade em todo o Estado e não pretendem voltar, o que tirou Rondônia da condição de maior produtor de leite da região norte. “Muitos estão reduzindo seus rebanhos para poder enfrentar a situação e as coisas tendem a piorar porque não existe capital de giro para repor animais e para melhorar pastagens”, apontam eles.
O que contribui para o aumento dos preços do leite na prateleira e falta de interesse das indústrias em lançar um olhar mais apurado sobre os pequenos produtores é a politica federal que facilitou a importação de derivados do leite, causando ainda mais danos ao setor.
Quanto a defasagem do valor mínimo de referência os pequenos produtores pontuam que um estudo encomendado pela Secretaria de Estado de Agricultura no ano passado, ainda sob o comando de Evando Padovani, à Universidade Federal do Paraná, ainda não foi concluído, de maneira que não se estabeleceu, sabe-se lá porque quais motivos, parâmetros capazes de equilibrar a balança entre o custo de produção e o valor pago pelos laticínios.
A tendência é que no período chuvoso, quando a produção aumenta e os preços pagos caem ainda mais, novos embates sejam travados entre os pequenos produtores rondonienses , que eram mais de 30 mil ano passado e hoje são pouco mais de 20 mil, a indústria de processamento de leite e a classe politica rondoniense, responsável pelo estabelecimento de politicas públicas que assegurem a estabilidade da pecuária leiteira em Rondônia.
No ano passado a luta dos pequenos produtores em busca de preços justos foi dura, mas praticamente infrutífera, já que entidades como a Fetagro ( Federação dos Trabalhadores da Agricultura de Rondônia) e Faperon (Federação da Agricultura e Pecuária de Rondônia), que teoricamente tem a função de defender os produtores, se posicionaram ao lado dos laticínios. Os acordos firmados com a classe politica não foram cumpridos e até mesmo uma investigação na Assembléia Legislativa para investigar possível formação de cartel por parte dos laticínios acabou sem nenhum resultado prático.
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