Segundo ele, a atividade ilegal ocorre desde a década de 1980, tanto no estado quanto no Mato Grosso, com destaque para a Reserva Roosevelt, uma área de aproximadamente 2,7 milhões de hectares.
Prado destacou que o potencial mineral da região é reconhecido mundialmente, principalmente pela presença de kimberlito diamantífero — formação geológica associada à existência de diamantes. De acordo com estimativas citadas por ele, a qualidade e volume das jazidas podem superar até mesmo regiões tradicionais como Botswana. Apesar disso, a exploração clandestina ainda predomina, gerando perdas significativas que podem chegar a cerca de R$ 900 milhões por ano.
A entrevista também abordou o papel do Supremo Tribunal Federal (STF), que tem discutido alternativas para regulamentar a atividade junto aos povos indígenas Cinta Larga, que habitam a área. Entre as propostas estão a criação de cooperativas indígenas e a adoção de práticas sustentáveis, com foco em gestão e preservação ambiental. Caso não haja interesse dos próprios indígenas em operar a atividade, existe a possibilidade de contratação de empresas mineradoras legalizadas.
Além dos diamantes, Walter Prado ressaltou que a região abriga uma vasta diversidade de minerais, como nióbio, cassiterita, ródio e terras raras, com estimativas que chegam à casa dos trilhões de dólares. No entanto, ele enfatizou que o maior patrimônio da área não está apenas no subsolo, mas sim nos povos indígenas e na biodiversidade da floresta, defendendo que qualquer exploração deve ocorrer de forma responsável, equilibrando desenvolvimento econômico com preservação ambiental.
Comentários: