Depois de um dia tranquilo de trabalho, sento-me diante desta mesa e deixo o olhar repousar sobre a paisagem de Brasília.
A tarde vai se despedindo devagar. Os corredores já silenciam, a maioria das pessoas retornou para casa, e o prédio inteiro parece respirar mais lentamente. Há uma serenidade particular nesse horário, como se o mundo finalmente diminuísse o ritmo.
Fico procurando detalhes.
As mangueiras à minha frente balançam levemente ao vento. Um passarinho surge de repente, bate na vidraça, bica o vidro algumas vezes, talvez confundido pelo reflexo do céu, e logo volta ao ar com a leveza das coisas que não carregam pressa.
Permaneço ali, apenas contemplando.
Sem urgências. Sem ruído.
Há momentos em que a felicidade não se anuncia em grandes acontecimentos. Ela chega silenciosa, quase invisível, senta ao nosso lado e transforma um fim de tarde comum em algo profundamente humano.
Sinto a paz de um dia bem vivido. O trabalho cumprido sem exaustão, o pensamento desacelerando, a luz dourada atravessando a sala, esse céu imenso de Brasília repousando diante dos olhos.
E agradeço.
Agradeço pela beleza simples das coisas. Pelo silêncio. Pelas árvores. Pelo passarinho insistente. Pela claridade da tarde. E, sobretudo, por ainda conservar a capacidade de me comover diante disso tudo.
Talvez a verdadeira riqueza da vida esteja exatamente aí: não apenas em possuir o mundo, mas em ainda conseguir contemplá-lo.
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