Atualmente, o medicamento, conhecido popularmente por marcas como Rivotril, lidera o consumo no país. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que foram vendidas cerca de 39 milhões de caixas em 2024, e cerca de 2 milhões de idosos fazem uso regular da substância.
Para que serve o clonazepam?
O clonazepam pertence à classe dos benzodiazepínicos e é frequentemente prescrito para tratar condições como:
Epilepsia
Crises de pânico
Ansiedade
Distúrbios do sono
O medicamento tem efeito rápido e prolongado, o que contribui para sua eficácia em situações agudas.
Riscos em idosos: confusão mental, quedas e dependência
Especialistas alertam que o uso contínuo, muitas vezes sem acompanhamento adequado, pode ser problemático na população idosa. Isso porque:
O metabolismo mais lento em idosos aumenta o acúmulo da substância no organismo;
O efeito prolongado pode levar a confusão mental e maior risco de quedas;
O organismo pode desenvolver tolerância, o que faz usuários aumentarem a dose por conta própria;
E, com o tempo, o cérebro pode “aprender” a relaxar somente com a presença do remédio, um sinal de dependência.
Segundo o geriatra Pedro Curiati, do Hospital Sírio-Libanês, esses efeitos tornam o remédio especialmente perigoso quando usado por longos períodos sem supervisão médica adequada.
“Efeito rebote” e armadilhas do uso prolongado
Ao interromper o uso de forma abrupta, muitos pacientes podem experimentar o chamado “efeito rebote”, em que sintomas como ansiedade e insônia retornam de maneira ainda mais intensa. Isso pode reforçar o ciclo de dependência, dificultando a descontinuação do remédio.
Além disso, muitos idosos acabam utilizando o clonazepam como uma espécie de “anestesia emocional” para lidar com sentimentos de solidão, luto ou falta de apoio, o que também fortalece o hábito de uso contínuo.
Alternativas e acompanhamento profissional
Especialistas destacam que a interrupção do uso crônico nunca deve ser feita de forma abrupta, mas sim por meio de um desmame lento e supervisionado por médico.
Uma alternativa recomendada para tratar problemas como ansiedade e insônia é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), combinada com mudanças no estilo de vida, como prática regular de atividade física, higiene do sono e redução da exposição a telas à noite. No entanto, esse tipo de terapia ainda tem acesso limitado pelo Sistema Único de Saúde (SUS)
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