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Domingo, 18 de Janeiro de 2026

Política

CPMI do INSS: deputados miram líderes religiosos e senadora Damares diz que “grandes igrejas estão envolvidas”

A senadora Damares Alves atraiu a ira de Silas Malafaia,que a chamou de “linguaruda”

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CPMI do INSS: deputados miram líderes religiosos e senadora Damares diz que “grandes igrejas estão envolvidas”
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BRASÍLIA (DF) – Dez requerimentos protocolados pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), em dezembro de 2025, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no INSS, pede a quebra de sigilo ou depoimento de pastores suspeitos de participação no esquema que resultou em mais de R$ 6 bilhões em descontos indevidos de aposentados e pensionistas. No último domingo, 11, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) revelou que os membros da comissão identificaram a participação de “grandes igrejas” no rombo.

Na última reunião da CPMI, no dia 4 de dezembro de 2025, os deputados Rogério Correia e Dorinaldo Malafaia (PDT-AP) indicaram vários nomes de pastores de igrejas evangélicas suspeitos de receberem dinheiro de empresas investigadas por fraudes aos aposentados. Correia apresentou dez requerimentos solicitando a quebra de sigilo ou a convocação dos citados para prestar depoimento ao colegiado.

As declarações de Damares foram feitas durante entrevista ao SBT News, no último domingo, 11, e deixou religiosos e políticos em alerta. Membro da CPMI, instalada dia 10 agosto de 2025, as declarações de Damares foram dadas em resposta à pergunta da jornalista Basília Rodrigues, que questionou a senadora se havia pessoas fazendo lobby em cima da comissão para impedir a investigação.

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“Estão o tempo todo e com os argumentos, assim, muito ‘vamos evitar danos’. Por exemplo, eu vou falar algo aqui que me machuca muito. Nós estamos identificando igrejas nos esquemas de fraude aos aposentados. E quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: não falem, não digam, não investiguem, porque os fiéis vão ficar muito tristes. Então, essa CPMI do INSS está chegando em lugares que a gente jamais imaginava. Grandes igrejas no Brasil estão sendo apontadas na CPMI do INSS e isso me machuca muito”, afirmou a senadora.

Na reunião do dia 4 de dezembro do ano passado, os parlamentares chamaram para depor o presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), Américo Monte Júnior, que ficou em silêncio na maioria das perguntas do relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar (União-AL) e demais membros. Na ocasião, Correia o questionou se ele teria enviado mais de R$ 200 mil para Péricles Albino Gonçalves, pastor da Igreja Evangélica Campo de Anatote de Barueri, em São Paulo. Américo preferiu não responder.

Correia também mencionou que Américo Junior chegou a ser citado durante um culto por Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da Amar Brasil, no qual disse que ele fez pagamentos supostamente em forma de dízimo para a Igreja Sete Church, assim como José Carlos de Oliveira, que foi presidente do INSS entre 10 de novembro de 2021 e 30 de março de 2022, no governo de Jair Bolsonaro. Macedo teria dito que os dois teriam orado para se livrar das investigações da CPMI do INSS.

“Parece deboche. Na verdade, eram recursos que vinham não de dízimo, mas do enriquecimento dessas entidades, onde o José Carlos Oliveira foi um que agraciou muito. E aí começa, então, a haver uma série de formas de lavagem de dinheiro”, afirmou Correia, ao inquirir Américo.

Correia foi além e ainda citou o uso de fintechs para lavagem de dinheiro ligadas a vários pastores evangélicos e dirigentes de grandes igrejas. “Presidente, é, portanto, um sistema que vem roubando o aposentado. Essas empresas não prestam serviço nenhum e, ao final das contas, lavam o dinheiro em fintechs que vai voltar para os carros luxuosos, para os vinhos caríssimos, para tudo aquilo que eles ostentam como pessoas bilionárias, milionárias, que depois vão sonegar imposto no Brasil”, acusou o petista.

O deputado mineiro apresentou dez requerimentos para investigar pastores e igrejas, como a oitiva de André Fernandes, pastor da Igreja Lagoinha Alphaville, que teria recebido de Felipe Macedo, a título de “doação”, o valor de R$ 200 mil. “A Controladoria-Geral da União (CGU), no âmbito das investigações relativas à Farra do INSS, identificou a utilização de igrejas evangélicas por suspeitos de desviar recursos de aposentados e pensionistas, como possível mecanismo para a prática de lavagem de dinheiro”, justificou em seu pedido.

Outro requerimento é de convite a Fabiano Campos Zettel, empresário e líder religioso, para comparecer à CPMI. Nesta quarta-feira, 14, Zettel foi alvo de mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF) no âmbito das investigações das fraudes do Banco Master. Ele é cunhado do dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro, que cumpre medidas cautelares com uso de tornozeleira.

Criada para investigar a fraude de mais de R$ 6 bilhões em descontos indevidos dos aposentados e pensionistas do INSS, a CPMI que investiga os responsáveis pelas irregularidades deve retomar os trabalhos em fevereiro deste ano.

Mais questionamentos

Na mesma sessão, o deputado Dorinaldo Malafaia (PDT-AP) questionou se Américo Júnior costumava financiar igrejas ou pastores financeiramente. “Se for dízimo ou oferta, sim”, respondeu o dono da Amar Brasil.

Malafaia também perguntou se ele havia repassado aproximadamente R$ 124 mil à Igreja Deus é Fiel, ligada ao Pastor Cesar Belluci, no que Américo preferiu ficar em silêncio outra vez. O deputado amapaense também quis saber se era verdade o que declarou Felipe Macedo, em depoimento na CPMI, de que eles oravam no escritório de madrugada para pedir livramento durante a investigação do INSS. “Desconheço a informação”, respondeu.

“É, o senhor tem, realmente, um nível de relação bastante duvidoso com todas as figuras que lavam dinheiro, inclusive, dentro de igrejas, lamentavelmente. E aí não tem nada a ver com fé, não tem nada a ver com pastor, diretamente, mas com esquemas de lavagem de dinheiro que evoluem para dentro de igrejas e usam também a fé do próprio cidadão”, afirmou Dorinaldo Malafaia a Américo.

No balanço apresentado pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), foram analisados mais de 4,8 mil documentos oficiais, 73 requerimentos de informação deferidos, 48 quebras de sigilo aprovadas, 108 empresas suspeitas identificadas, mais de R$1,2 bilhão em movimentações incompatíveis.

Damares defende investigação

A assessoria de imprensa da senadora Damares, além de reiterar o que ela disse ao SBT News, afirmou que tudo está registrado pela CPMI e que a eventual participação de igrejas ou líderes religiosos em esquemas de fraude no INSS é algo que causa profundo desconforto e tristeza, especialmente pelo papel social e espiritual que essas instituições exercem.

“No entanto, a CPMI tem o dever constitucional de apurar os fatos com responsabilidade, isenção e base documental”, disse, ao citar os dez requerimentos que pedem a investigação das igrejas e pastores, protocolados na CPMI.

“A senadora Damares Alves segue comprometida com a apuração rigorosa dos fatos, com o objetivo de proteger os recursos públicos, responsabilizar eventuais envolvidos, preservar a credibilidade das instituições e defender os direitos de aposentados e pensionistas”, encerrou.

Requerimentos apresentados pelo deputado Rogério Correia (PT-MG):

  • REQ 2746/2025 – Transferência de sigilo da Adoração Church;
  • REQ 2745/2025 – Transferência de sigilo da Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo;
  • REQ 2635/2025 – Transferência de sigilo do Ministério Deus é Fiel Church (Sete Church);
  • REQ 2636/2025 – Convite ao Sr. Cesar Belucci do Nascimento, líder religioso, para comparecimento à CPMI;
  • REQ 2638/2025 e REQ 2734/2025 – Convocação do Sr. André Machado Valadão, líder religioso, para prestar depoimento;
  • REQ 2728/2025 – Transferência de sigilo do Sr. André Machado Valadão;
  • REQ 2639/2025 – Convite ao Sr. Péricles Albino Gonçalves, líder religioso, para comparecer à CPMI;
  • REQ 2642/2025 – Convite ao Sr. Fabiano Campos Zettel, empresário e líder religioso, para comparecer à CPMI;
  • REQ 2826/2025 – Convite ao Sr. André Fernandes, líder religioso, para comparecer à CPMI;
  • REQ 2640/2025 – Transferência de sigilo da Igreja Evangélica Campo de Anatote.
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