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Domingo, 18 de Janeiro de 2026

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Pandemia fora de controle: Nicolelis prevê ‘pior março’ da história do Brasil

Cientista aponta para o colapso iminente dos sistemas de saúde nas cinco regiões do país

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Pandemia fora de controle: Nicolelis prevê ‘pior março’ da história do Brasil
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Nicolelis defende severas medidas de restrição por ao menos 21 dias, para evitar o colapso geral dos sistemas de saúde por todo o país

São Paulo – De acordo com o neurocientista Miguel Nicolelis, ex-coordenador do Comitê Científico do Consórcio do Nordeste, o Brasil não chegou “nem próximo” do pico da segunda onda da pandemia. Sem a adoção de medidas restritivas de circulação em todo o país, por pelo menos 21 dias, o país pode chegar a um patamar de até 3 mil mortos a cada dia. A atual conjuntura tende a se agravar ainda mais, em função do colapso iminente dos sistemas de saúde, com a ocupação dos leitos de UTIs ultrapassando a casa dos 90% em diversas regiões.

“A situação para março parece ser ainda mais tétrica. Poderemos ter o pior março da história do Brasil de todos os tempos, no que tange a perda de vidas humanas”, afirmou Nicolelis, em entrevista ao programa Revista Brasil TVT, neste domingo (7).

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“Não acredito que tenhamos chegado nem próximo do pico ainda. Infelizmente, todas as projeções mostram que a situação brasileira ainda vai pior muito nas próximas semanas”, afirmou o cientista. Com a pandemia fora de controle, ele disse que as condições de atendimento devem ficar “mais do que críticas”, se houver um colapso em São Paulo, tanto na capital como em todo o estado.

“Quando ultrapassa os 85% de ocupação dos leitos de UTI, chegando a 90%, o colapso já ocorreu. É uma questão de horas, ou talvez de um par de dias, para chegar a 100%. As filas de espera já começam a ficar enormes. Como em São Paulo, Natal, Salvador, Rio de Janeiro, Manaus, Fortaleza, Porto Alegre, Florianópolis”, disse Nicolelis. Segundo ele, todas as cinco regiões do país caminham para o abismo.

Fechamento urgente

Sem vacinação em proporções suficientes para conter a disseminação do vírus, a única saída, para Nicolelis, é a adoção de medidas restritivas. Assim como ocorreu em países como o Reino Unido, Alemanha, Israel, Nova Zelândia e China. Ele defende o fechamento de todas as atividades não essenciais, além do controle de circulação de pessoas em aeroportos e rodovias. Outra medida recomendada é a testagem em massa como forma de rastrear o comportamento do vírus, prevendo o avanço da doença. Mas, para tanto, é preciso que o governo federal ou os governos estaduais garantam auxílio financeiro às famílias e setores mais prejudicados.

Pandemônio

Por outro lado, Nicolelis atribui parte do fracasso do combate à pandemia no Brasil à falta de comprometimento do governo federal. “Qualquer nação no mundo atualmente que tivesse um presidente que fala o que esse (Bolsonaro) fala, já teria tomado uma providência institucional. Além da pandemia, nós temos um pandemônio político, causado pelo exemplo do mandatário-mor do país, que não consolas as vítimas, não oferece um plano nacional, nem nenhuma perspectiva de sairmos dessa crise. Pelo contrário. Desdenha e desmerece aqueles que estão tentando trabalhar para o Brasil sair dessa o mais rapidamente possível”, declarou.

Sequelas crônicas

Somado ao avanço no número de casos agudos que demandam tratamento intensivo, Nicolelis chama a atenção para a “demanda reprimida” de pacientes com sequelas crônicas da doença. Além das complicações neurológicas, ele destaca os quadros de insuficiência respiratória, cardíaca e renal como as mais comuns. A necessidade de atendimento médico a esses pacientes agrava ainda mais o quadro de colapso iminente dos sistemas de saúde.

 

Menu de vacinas

O cientista também disse que é preciso ampliar “de cinco a dez vezes” o número diário de pessoas imunizadas. Além da rapidez no processo de vacinação, é preciso ampliar o “menu de vacinas” disponíveis. “Em particular as vacinas de dose única”, defendeu Nicolelis, “que nos permitem ganhar tempo”. “Se nós tivéssemos entre dois e três milhões de pessoas vacinadas por dia, em 90 dias teríamos um número de pessoas vacinadas grande o suficiente para ter uma queda radical do número de transmissão de vírus e de pacientes infectados”, defendeu

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