Usuário autoriza uma única vez, define limites e pode cancelar a qualquer momento pelo aplicativo do banco. Empresas poderão reduzir inadimplência e custos operacionais ao oferecer a modalidade.
A partir desta segunda-feira, 13 de outubro, entra em operação o Pix Automático, nova funcionalidade do Banco Central que permite o pagamento de contas recorrentes de forma automática.
Com o recurso, o usuário precisa autorizar apenas uma vez o débito de uma cobrança — como mensalidades escolares, academia, energia elétrica ou serviços de streaming — e os pagamentos seguintes serão feitos sem necessidade de novas confirmações.
Segundo Breno Lobo, chefe adjunto do Departamento de Competição e Estrutura do Mercado Financeiro do Banco Central, o objetivo é oferecer mais conveniência e inclusão financeira.
“O Pix Automático será inovador, prático e fácil de usar tanto para quem paga quanto para quem recebe. No dia combinado, o pagamento acontecerá normalmente, sem que o cliente precise se preocupar”, afirmou.
Como funciona o Pix Automático
O funcionamento é simples e segue as seguintes etapas:
A empresa envia o pedido de autorização de pagamento automático para o cliente.
No aplicativo do banco, o usuário acessa a opção “Pix Automático” e confere os dados da cobrança.
Define as regras, como valor máximo, periodicidade e possibilidade de usar crédito caso não haja saldo.
O banco agenda o pagamento e notifica o cliente com antecedência.
No dia do vencimento, o débito é realizado automaticamente conforme as regras autorizadas.
O usuário pode cancelar a autorização ou ajustar valores e datas a qualquer momento.
O sistema funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive em feriados, mantendo a principal característica do Pix tradicional: velocidade e disponibilidade.
Diferença entre Pix Automático e débito automático
O Pix Automático funciona de forma semelhante ao débito automático, mas com uma infraestrutura mais ampla e moderna. A principal diferença está na base tecnológica: o débito automático depende de convênios específicos entre bancos e empresas, o que limita sua disponibilidade a algumas instituições e prestadores de serviço. Já o Pix Automático utiliza a rede do Pix, disponível em praticamente todos os bancos e fintechs, o que amplia o alcance e reduz custos de operação.
Enquanto o débito automático exige que cada empresa tenha um acordo com o banco para oferecer o serviço, o Pix Automático permite pagamentos recorrentes diretamente pela infraestrutura do Banco Central, sem depender de convênios. Isso deve aumentar a eficiência, reduzir a inadimplência e beneficiar pequenos negócios, que antes não tinham acesso a esse tipo de cobrança.
Facilidade e controle para quem paga
O Pix Automático foi pensado para substituir operações manuais e o Pix agendado recorrente, que exigiam que o usuário digitasse dados e valores a cada pagamento.
Agora, basta autorizar uma única vez.
Será possível também:
Definir um valor máximo por cobrança;
Escolher receber notificações de agendamento;
Consultar histórico de autorizações e cancelar cobranças;
Gerenciar um limite exclusivo para transações automáticas, sem afetar o limite do Pix comum.
Essas ferramentas estarão disponíveis na área dedicada ao Pix dentro dos aplicativos bancários, permitindo mais controle e transparência nas operações.
Empresas e prestadores de serviço
Para quem recebe, o Pix Automático traz ganhos de eficiência e redução de inadimplência. A modalidade deve ampliar a base de clientes que usam Pix — hoje mais de 160 milhões de brasileiros — e reduzir custos operacionais, já que será necessário contratar apenas uma instituição participante do sistema.
Empresas poderão usá-lo em diversos segmentos, como:
Contas de consumo (energia, água, telefone);
Mensalidades de escolas e academias;
Assinaturas digitais de música, vídeo e jornais;
Clubes de assinatura e serviços recorrentes.
A infraestrutura do Open Finance também poderá ser utilizada, permitindo que empresas façam cobranças automáticas por meio de iniciadores de pagamento.
Segurança e prevenção a fraudes
A segurança segue os mesmos padrões do Pix tradicional.
O Banco Central definiu regras rigorosas para evitar fraudes e uso indevido do sistema.
Somente empresas com CNPJ ativo há pelo menos seis meses poderão oferecer o serviço.
Os bancos e instituições de pagamento deverão checar:
Situação cadastral da empresa e de seus sócios;
Compatibilidade entre a atividade econômica e o serviço oferecido;
Histórico de relacionamento e movimentações financeiras.
Em caso de erro ou cobrança indevida, o cliente poderá acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED).
Nos casos de falha operacional do banco, a devolução será obrigatória. Em situações de fraude, valem as mesmas regras atuais do MED, com análise conjunta entre as instituições envolvidas.
Gratuito para usuários e pago para empresas
Para pessoas físicas, o Pix Automático é gratuito.
Empresas recebedoras poderão ser tarifadas, e os valores dependerão da política de cada instituição financeira.
A expectativa do Banco Central é que a modalidade aumente a adesão ao sistema Pix, estimule a digitalização de pagamentos e traga mais comodidade e segurança para consumidores e empresas.
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