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Domingo, 09 de maio de 2021
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Agro

Em áudios, grandes produtores ironizam e dizem que “tem que receber mais mesmo”

“Num tom até zombeteiro, grande produtor de leite diz que grevistas só tem vacas de cinco, seis litros”

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               Produtores de leite em todo o Estado estão mantendo a suspensão do produto aos laticínios faz mais de uma semana, reivindicando alinhamento de preços, já que o valor que as indústrias estão pagando agora não cobre o custo de produção. As negociações não prosperam e o movimento se fortalece, reunindo mais de 50% dos produtores, enquanto as autoridades e a classe política literalmente não se envolvem na questão.

               A situação pode piorar por conta do “vazamento”, na noite de ontem, de mensagens trocadas via aplicativos na internet entre os chamados produtores, que entregam mais de mil litros diariamente aos laticínios e recebem bem mais que os pequenos e médios.  No primeiro áudio o cidadão começa criticando a imprensa: “Boa noite, boa noite galera ...mas que matéria mais porca – laticínio tira do pequeno para dar pro grande...abaixou geral ..só que como o grande tira muito leite ele tem que receber mais um pouquinho...tem trato, tem qualidade de leite e tudo...é bagunçado o trem mesmo..”

               Na mensagem de resposta o interlocutor é mesmo agressivo, mas deixa de ser, de certa forma, ofensivo – “Rapaz é o seguinte a maioria desses grevistas ai ó...a maioria deles...voce pode ver que é “nego” de vaca de cinco, seis litro de leite...eu duvido que eles tem vaca de de 20 litro...15 litros de leite..pra ter isso precisa tratar...se ele tratar com certeza ele com 20 vaca ele vai tirar muito leite   e ai?...o cara trata, o cara tira muito leite pra receber pra  receber 1.20?...Não tem condições né..o cara para...agora pagar pasto não dá pra ganhar dinheiro, empata...vai “tentiando”...que as coisas não ta fácil não...a pandemia tai ó...cê vê que não tem saída..não tem escola funcionando...não tem escola...não tem lanchonete...nada ta funcionando cem por cento entendeu...é trinta por cento, vinte...talvez  nem isso...o maior paradeiro... como é que tem preço nas coisa..dificil...quem consome a matéria...quem vai consumir se não ta funcionando as coisa...então...o povo tem que ter consciência disso ai ó...depois ..(???) manda um castigo ai, pior aí em nego aí e nego fica chorando porque...não tem consciência...tem que ter consciência..ah, o trem deslanchou as escolas abriu..o negócio ta tudo funcionando e o leite não sobe? Ai eu sou a favor de fechar tudo, parar de tirar leite, mas do jeito que ta ai não tem jeito não...”

               Embora a conversa “vazada” não tenha nada de relevante, a não ser a confirmação do tratamento diferenciado dos laticínios em relação aos grandes e pequenos, sobretudo na questão do valor pago litro/leite, desagradou muito os produtores que aderiram ao movimento. Um deles, que prefere não ser identificado, disse que produz em média 100 litros de leite por dia e trata seu rebanho com capim capiaçu, sal de qualidade, ração de mandioca, proteinado e reforma as pastagens regularmente, no caso, também entrega leite com qualidade e não recebe mais por isso apenas porque  tem volume menor de produção.

               O questionamento dos produtores grevistas é alusiva a “qualidade” que os grandes produtores dizem oferecer. A excelência do produto é mera fantasia, de vez que a indústria não seleciona nada e todo leite é igual, transportado no mesmo caminhão tanque. Qualquer tipo de valor adicional só se justifica quando o produtor tem pastagem irrigada, piquete, ordenada canalizada ou tecnologia que realmente faça diferença. De resto, o leite do rico e do pobre, da vaca que produz cinco e da vaca que produz 20 litros findam no mesmo tanque, no mesmo caminhão, de maneira que o valor que o laticínio paga  também não tem justificativa para ser diferenciado.

 

 

 

 

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