BRASÍLIA - Uma representação protocolada no Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro pede a investigação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do pastor Silas Malafaia por suposta propaganda eleitoral antecipada durante um culto realizado no último fim de semana.
A ação, apresentada pela associação Movimento Brasil Laico, também cita outros políticos presentes no evento. Segundo a peça, o espaço religioso teria sido usado para promover pré-candidaturas. Pela legislação eleitoral, a campanha eleitoral começa em 16 de agosto, e propaganda no dia 26.
No último domingo (3/5), Flávio participou de um culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, liderada por Malafaia, no Rio de Janeiro. O encontro marcou uma reaproximação entre os dois após desgastes recentes, quando o pastor criticou publicamente o fato de o senador ser o escolhido para herdar o capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
De acordo com a representação, durante a cerimônia, políticos do PL no Rio foram chamados ao altar, receberam orações públicas e tiveram seus nomes mencionados diante dos fiéis. Isso, na avaliação da entidade, caracteriza promoção com finalidade eleitoral.
Também são citados como beneficiários da exposição Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo do Rio; Sóstenes Cavalcante (PL), que busca a reeleição à Câmara; Cláudio Castro (PL), pré-candidato ao Senado; e Marcelo Crivella (Republicanos), que pretende disputar vaga de deputado federal.
A peça afirma ainda que houve declarações explícitas de apoio político, além de críticas ao governo federal com conteúdo partidário. Para a associação, o episódio transformou um ato religioso em um “comício eleitoral antecipado”.
O pedido foi encaminhado à Procuradoria Regional Eleitoral no Rio, responsável por analisar denúncias desse tipo. Pelo sistema do MPF, o caso foi registrado na segunda-feira (4/5) e passou a tramitar internamente até chegar ao procurador responsável, que decidirá os próximos passos.
A partir da representação, o Ministério Público pode analisar os fatos para decidir se há indícios suficientes, abrir investigação, arquivar o caso, se entender que não houve desvios, ou acionar a Justiça Eleitoral, se considerar que ocorreu infração.
Entre as possíveis irregularidades apontadas pelo grupo estão a realização de campanha antes do período permitido por lei e o uso de igreja para promover candidatos, o que pode configurar uso indevido da estrutura e da influência do local.
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