Hoje, primeiro de maio, acordo tarde nesse feriadão. Deito numa cadeira preguiçosa, o corpo ainda meio lento, e fico olhando a luz entrando devagar. O dia parece grande, aberto, sem pressa. E eu me pego pensando no tempo.
A gente fala dele como se fosse nosso. Diz que “ainda restam dias”, como quem confere saldo, ou que “sobrou tempo”, como se a vida viesse com sobra.
Mas o tempo não sobra. Nem resta. Ele passa.
Um dia que chega não é excesso, é parte. Mesmo aquele dia meio vazio, sem grandes acontecimentos, sem nada “produtivo”, ele também está fazendo alguma coisa com a gente, mesmo que a gente não perceba na hora.
Talvez o problema seja esse hábito de medir tudo. Se o dia não rendeu, a gente chama de perdido. Mas nem tudo que importa aparece como resultado.
Tem dia que é só silêncio. O barulho distante da rua, um vento leve, a sensação de que nada urgente precisa ser feito. E ainda assim, alguma coisa muda por dentro.
No fim, não é sobre quantos dias temos ou deixamos de ter. É sobre como a gente atravessa cada um deles.
Porque nenhum dia sobra.
E nenhum volta.
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