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Domingo, 03 de Maio de 2026

Cultura

A imensidão de um dia simples

CRÔNICA DE MAGNO BARRETO

Benê Barbosa
Por Benê Barbosa
A imensidão de um dia simples
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Hoje, primeiro de maio, acordo tarde nesse feriadão. Deito numa cadeira preguiçosa, o corpo ainda meio lento, e fico olhando a luz entrando devagar. O dia parece grande, aberto, sem pressa. E eu me pego pensando no tempo.

A gente fala dele como se fosse nosso. Diz que “ainda restam dias”, como quem confere saldo, ou que “sobrou tempo”, como se a vida viesse com sobra.

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Mas o tempo não sobra. Nem resta. Ele passa.

Um dia que chega não é excesso, é parte. Mesmo aquele dia meio vazio, sem grandes acontecimentos, sem nada “produtivo”, ele também está fazendo alguma coisa com a gente, mesmo que a gente não perceba na hora.

Talvez o problema seja esse hábito de medir tudo. Se o dia não rendeu, a gente chama de perdido. Mas nem tudo que importa aparece como resultado.

Tem dia que é só silêncio. O barulho distante da rua, um vento leve, a sensação de que nada urgente precisa ser feito. E ainda assim, alguma coisa muda por dentro.

No fim, não é sobre quantos dias temos ou deixamos de ter. É sobre como a gente atravessa cada um deles.

Porque nenhum dia sobra.

E nenhum volta.

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