Outro dia me deparei com uma dessas frases prontas que dividem a vida em idades.
Aos 20, você se preocupa com o que os outros pensam.
Aos 40, deixa de se preocupar.
Aos 60, descobre que ninguém nunca pensou.
Bonita. Funciona. Mas não é bem assim.
Lembro de mim mais novo, medindo palavra, gesto, roupa, silêncio.
Era como se houvesse sempre alguém olhando.
E talvez houvesse mesmo. Ou talvez fosse só o peso de querer caber.
O tempo foi passando, e não é que parei de me importar.
A gente não vira essa chave de uma vez.
Mas fui cansando de sustentar esse olhar imaginado.
Fui largando aos poucos.
Hoje eu desconfio dessas certezas muito redondas.
As pessoas pensam, sim. Julgam, sim.
Mas não com essa dedicação toda que a gente supõe quando está preso em si.
Cada um anda ocupado demais tentando dar conta da própria vida.
Dos seus medos. Das suas faltas. Das suas pequenas urgências.
E no meio disso tudo, quase sem perceber, vai nascendo um certo sossego.
Não é que o mundo tenha ficado mais leve.
É que a gente aprende a não carregar tudo.
Talvez envelhecer tenha um pouco disso.
Ir se soltando da plateia que nunca foi tão cheia assim.
E, quando vê, já está vivendo mais para dentro do que para fora.
Mais por verdade do que por aprovação.
Não é que ninguém olhe.
É que isso, enfim, deixa de ser o centro
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