Ao ler A Sociedade do Cansaço, de Byung-Chul Han, a inquietação não fica só em quem lê. Ela se espalha. Porque o diagnóstico não é individual. É nosso.
É uma leitura necessária, quase obrigatória, para compreender os fenômenos do nosso tempo, esses que nos atravessam e, não raro, permanecem sem resposta.
Em meio a coaches de prateleira, onde estão os rostos serenos, os olhos que ainda pousam no horizonte?
Já estamos na roda. Corremos sem saber por quê. Antes, a opressão vinha de fora. Hoje, é íntima. Não se impõe, seduz. O “eu-empresa” não dorme.
Para Byung-Chul Han, vivemos sob o excesso de positividade. Tudo pode. Tudo deve. Tudo cobra. O resultado não é potência, é esgotamento. O burnout não explode. Corrói.
Viramos planilhas. Métricas, metas, performance. Até o amor se acelera, rápido, raso, substituível. Já não há repressão visível. Há desgaste. Um cansaço que vem de dentro.
Como intuiu Guy Debord, só o que aparece existe. O resto desaparece. A vida precisa ser exibida para ser reconhecida. Até a dor aprende a posar.
Vivemos entre Admirável Mundo Novo e 1984. Vigiados e voluntários. Exaustos e produtivos.
E, ainda assim, fugimos do vazio.
Mas é no tédio que o pensamento respira.
Han distingue dois cansaços. Um que isola. Outro que aproxima.
É desse que precisamos.
Descansar sem culpa.
Olhar longe.
Contemplar é, talvez, o último gesto que ainda podemos dividir.
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