Vladimir J. Timerman, o empresário que revelou o suposto ‘verdadeiro dono’ do Banco Master é formado em Engenharia elétrica pela USP, com certificações internacionais em finanças, ele é fundador da gestora Esh Capital e se consolidou no mercado como um dos principais nomes do chamado “ativismo acionário”.
Em depoimento na CPI do Crime Organizado no dia 18 de março, Timerman disse aos senadores que Tanure estaria no topo da estrutura de comando do banco Master, mas ponderou que só poderia afirmar com segurança aquilo que consegue comprovar.
Timerman diz que fez primeiras denúncias contra o Banco Master ainda em 2019
A Esh Capital, empresa de Timerman fica na capital paulista, a poucas quadras do Banco Master, nas imediações da Faria Lima, uma das principais vias do mercado financeiro em São Paulo.
Timerman relatou ainda que, preocupado com seus investimentos, encaminhou em 2019 a primeira denúncia sobre possíveis irregularidades envolvendo o banco às autoridades.
Na CPI, ele afirmou ainda ter sido alvo de mais de 30 ações criminais, além de ameaças e morte e pedidos de prisão, que atribui a retaliações pelas denúncias feitas.
De acordo com o Folha S. Paulo, a trajetória de Timerman no mercado financeiro é marcada por embates. Ele ficou conhecido por atuar como acionista minoritário em empresas como Alliança Saúde e Gafisa, buscando influenciar decisões estratégicas, prática comum no exterior, mas ainda pouco difundida no Brasil.
Esses movimentos o colocaram em rota de colisão com grandes empresários, especialmente Nelson Tanure, com quem trava disputas desde 2021.
Nos últimos anos, Timerman acumulou uma série de processos judiciais. Segundo levantamento citado na reportagem, ele responde a nove ações entre civis e criminais e já obteve 14 vitórias na Justiça.
Após depoimento no caso Master, Timerman relata temor da morte
Ainda segundo o Folha de S. Paulo, o ambiente de conflito também trouxe consequências pessoais. Timerman relata que passou a receber ameaças de morte, especialmente durante o auge da disputa com Tanure e a Gafisa, em 2024.
Na ocasião, chegou a contratar segurança privada, custeada por um amigo.
Agora, com a repercussão do caso Master e sua participação na CPI, o temor voltou, desta vez compartilhado por pessoas próximas. “Minha família, meus amigos e meus sócios estão apavorados”, disse.
Ele afirma, no entanto, que não se intimida diante das ameaças: “[Falam]: ‘Vão te matar’, e eu digo, do que adianta me matar? Todas as informações que eu tenho meus advogados e meus sócios têm, não adianta me matar.”
Nelson Tanure nega envolvimento
Nelson Tanure afirma que não possui relação societária com o Banco Master. O empresário declara que foi cliente da instituição “nos últimos anos”, em condições semelhantes às de outros bancos, e que a única medida imposta no âmbito da Operação Compliance Zero foi a apreensão de seu telefone celular, informou ao R7.
Nelson Tanure também sustenta que jamais foi controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio, ainda que minoritário, diretamente ou por meio de instrumentos financeiros, debêntures conversíveis ou mecanismos equivalentes. A defesa diz esperar que, ao fim das apurações no STF, fique demonstrada a inexistência de prática ilícita relacionada à sua atuação.
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