O Boi-Bumbá Diamante Negro conseguiu provar que as notas 9,9 recebidas pelo “Pajé” e pelo “Tripa”, dois entre os três itens essenciais, foram ignoradas pelos 10,0 atribuídos por todos os cinco jurados aos seus artistas, Rafael Oliveira e Ericsson Pereira, que desempenharam os mesmos papéis;
Logo após o fim da recontagem da apuração, ocorrida na manhã de hoje (08.08) na arena do Flor do Maracujá, após uma semana de protestos veementes liderados por Simone Guedes, filha do baluarte Aluízio Guedes fundador do Diamante Negro, a diretoria do Boi Marronzinho, ainda campeão, autorizou a imediata devolução dos dois troféus, concedidos pela União Junina Porto-Velhense (Unajup), e dos dois cheques públicos, cada um no valor simbólico de R$ 500,00, emitidos pela Superintendência de Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (Sejucel).

VALOR DECISIVO DOS DOIS PERSONAGENS
O auto do Boi-Bumbá é parte do Patrimônio Histórico e Cultural Brasileiro. Ano que vem o Arraial Flor do Maracujá completa 40 anos de vida. Daí o esmero, o capricho em seus adereços e coreografias, a intensidade dos ensaios e a importância de qualquer décimo a menos nas notas.
O Pajé é nada menos que o guia espiritual supremo. Dele emanam o ritmo e o sentido da evolução das tribos, a obediência à tradição e a força divina, mítica, de fazer voltar à vida o boi preferido do Amo. Contudo, por obra da cobiça insensata, inveja e despeito nutridos por Mãe Catirina, uma jovem serva, grávida, induz Pai Francisco, a cometer um crime brutal (ver box),
Para dar conta de tudo isso, o Pajé confia-se ao Tripa, o mesmo personagem que, em Parintins, Lábrea, Humaitá e Guajará-Mirim, chama-se “Miolo”. Em seu desempenho por mais de cinco minutos na arena, o ator sustenta uma complexa teia de resinas e esponja e, principalmente, tem que manuseá-la com total destreza. Só assim, juntos, enlaçados, transmitindo suas forças de si para o público, as arquibancadas se maravilhem com meneios e saltos de uma encenação única no mundo. Dito doutra forma: a derrota do Mal e a alegria do retorno da Vida são as raízes do Boi-Bumbá, uma das irresistíveis brincadeiras do Brasil.
Reportagem e Texto: Carlos Pedro Macena (MTb 22.323)
Comentários: