São diversas situações bizarras verificadas em grupos bolsonaristas de Rondônia. Uma das mais inusitadas é a fórmula para evitar que as mensagens sejam rastreadas; segundo um membro, é preciso escrever a mensagem à mão, fotografar e postar o "bilhete"
Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em Rondônia têm aumentado o tom das ameaças contra o atual governo, do presidente Lula, e alguns membros de grupos de Telegram e whatszap chegam a falar em “hora de sujar as mãos de sangue. Diversos grupos foram criados nessa semana com a função de recrutar pessoas para viajarem até Brasilia, onde aconteceria , conforme mensagens, a “batalha final” contra o comunismo e restauração da liberdade do povo brasileiro
Algumas mensagens são menos diretas e trazem falas como “as coisas não vão ser mais tão bonitas”. Outra recomendação nos grupos, é para que apenas os manifestantes homens estejam presentes e para que deixem de levar mulheres, crianças e idosos. O grau de confusão metal nos grupos é tão grande que num deles alguém “descobriu” que para evitar que as mensagens no whats não possam ser identificadas é preciso escrever à mão, fotografar e postar o “bilhete.”
Em outros casos, garantem que o Exército está dando total apoio e espera, de fato, que os manifestantes causem a maior desordem possível para justificar uma intervenção militar, de sorte que a estratégia não é invadir , apenas cercar a Praça dos Três Poderes, não deixar entrar nada até que os congressistas e ministros do Supremo se rendam, por causa da fome e da sede.
Na convocação para a viagem à Brasilia os organizadores, que não expõe nome e nem foto em seus perfis, garantem que tudo será gratuito, inclusive alimentação durante o trajeto e também em Brasilia e tranquilizam os mais temorosos; “ Não vai ter problema nenhum porque as Forças Armadas estão esperando para apoiar e proteger nossa luta pela liberdade”, afirmam, garantindo que o presidente Lula não tem nenhum poder sobre o Exército porque na verdade não foi empossado e tudo não passa de “novela organizada pela rede Globo e pela imprensa comunista.”
Nos últimos dias, apoiadores compartilharam instruções para fabricação caseira de máscaras de proteção contra o gás-lacrimogêneo, que é comumente empregado por forças de segurança para dispersão de manifestações. Uma mulher inclusive seguiu as instruções e postou o resultado de sua máscara pronta.
Além disso, circula uma mensagem em vídeo, que pede o bloqueio de postos de gasolina, caminhões de transporte de combustíveis e de alimentos. O objetivo, seria criar uma situação de emergência que forçaria uma ação dos militares das forças armadas. No que se refere a novos bloqueios nas rodovias a opinião dos golpistas rondonienses é confusa. Alguns acham que é preciso “ trancar tudo” e bloquear acesso aos postos de gasolina e outros acham que isso não da nenhum resultado. Em várias pontos da BR 364, no entanto, os acampamentos continuam montados e nunca ficam vazios, numa clara demonstração de que os bloqueios podem acontecer sobretudo porque o DNIT e a PRF nada fizeram para retirar as estruturas das margens da rodovia.
Divergências e acusações
Apesar do tom mais belicoso de alguns membros dos grupos, há pessoas nas mesmas redes que pedem que as manifestações sejam pacíficas e que aconteçam apenas no fim de semana.
Outra manifestação que tem se tornado mais comum, é a troca de acusações de que um membro ou outro é um “esquerdista” infiltrado querendo “derrubar o moral” dos grupos.
As acusações acontecem quando se compartilham vídeos das ações criminosas que aconteceram no dia 12 de dezembro e quando alguém critica o ex-presidente ou seus aliados.
Para alguns membros dos grupos, o ex-presidente Bolsonaro, seus ex-ministros e o ex-vice-presidente Hamilton Mourão teriam abandonado o “povo patriota” e pedem o fim das mobilizações. Essas mensagens são as mais atacadas como sendo de “infiltrados”.
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