). Os recursos viabilizam a compra da produção de agricultores familiares e a distribuição a entidades como CRAS e APAE.
Formada majoritariamente por mulheres — cerca de 70% dos integrantes —, a associação tem no protagonismo feminino um dos pilares de sua organização e crescimento. A atuação das produtoras foi determinante para consolidar a produção, ampliar mercados e atrair apoio do senador Confúcio Moura.
Criado para fortalecer a agricultura familiar, o PAA permite a compra direta de alimentos sem licitação, beneficiando assentados e populações em situação de insegurança alimentar.
No assentamento, que completa 25 anos, a organização coletiva avançou, mas ainda enfrenta gargalos. A ausência do selo municipal de inspeção, por exemplo, reduz o valor da produção. O quilo da mandioca manteguinha, hoje vendido por cerca de R$ 4,74, poderia chegar a R$ 7,54 com certificação. “Com o selo, agregamos valor e ampliamos as vendas ao PAA”, afirma a tesoureira Giceli Silva Santos.
A expectativa é que a regulamentação da lei municipal permita eliminar atravessadores e melhorar a renda dos produtores.
Organização e desafios
A produção diversificada reúne agricultores e pescadores artesanais, com distribuição para Candeias e Porto Velho. Ainda assim, faltam melhorias estruturais. “Precisamos embalar e pesar os produtos nos próprios sítios”, destaca a presidente Patrícia Matara Pompilho.
Patrícia Pompilho, ex-acampada, conta que alguns tipos de abóboras gigantes foram opções de cultivo depois do incêndio que destruiu cafezais
A trajetória das famílias é marcada por resistência. Antes da regularização, os assentados viveram em acampamentos, enfrentaram despejos e perderam safras. “Prdemos tudo três vezes até sermos assentados”, relembra Patrícia.
Hoje, ela e Giceli lideram a organização da produção e das vendas. Mesmo após perdas como o incêndio que destruiu lavouras em 2008, a estratégia foi diversificar culturas, incluindo mandioca, cacau, abóbora e melancia.
Outro desafio atual é o impacto de agrotóxicos utilizados em lavouras vizinhas. “Dependemos da água de poço. Qual será nosso futuro?”, questiona Patrícia.
Produção em expansão
O assentamento deve alcançar cerca de um milhão de pés de café nos próximos anos. Produtores como Benedito Lino de Jesus investem no cultivo de café robusta amazônico irrigado, além de hortaliças e tubérculos.
Já João Batista Martins, conhecido como “João das couves”, diversificou a produção com frutas e verduras irrigadas por poço artesiano, fornecendo ao PAA e ao comércio local.
Avanços e perspectivas
Entre os próximos passos estão a adesão ao consórcio regional de saneamento, para melhorar a inspeção da produção, e o acesso a políticas públicas. O crédito habitacional do INCRA, por exemplo, subiu de R$ 75 mil para R$ 107 mil.
Além das 23 famílias assentadas, a associação também apoia cerca de 20 produtores de comunidades vizinhas, ampliando o alcance da agricultura familiar na região.
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