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Quinta-feira, 07 de Maio de 2026

Agro

Lula quer que o Brasil produza mais fertilizantes; saiba se país pode deixar de ser dependente do exterior

Mais de 80% dos adubos que o Brasil compra vem de fora

Hoje Amazônia
Por Hoje Amazônia
Lula quer que o Brasil produza mais fertilizantes; saiba se país pode deixar de ser dependente do exterior
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Em seu discurso de posse em 1° de janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil precisa investir mais na produção de fertilizantes. O país compra 85% do produto do exterior atualmente.

É possível diminuir a dependência do país?

✅ Sim, apontam especialistas do setor entrevistados 

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⚠️Contudo, o Brasil não deve alcançar a independência completa devido ao tamanho do mercado nacional e à escassez de matéria-prima para fertilizantes químicos, que precisam de nitrogênio, potássio e fosfato.

Esses elementos são macronutrientes e são necessários para todas as plantas. Juntos, eles são chamados de NPK, os fertilizantes mais usados.

A ideia de aumentar a produção é motivada pelo medo de ficar sem o fornecimento do item no país quando há crises internacionais. Isso aconteceu quando a guerra da Ucrânia começou, em fevereiro de 2022, já que os russos são os nossos principais vendedores.

O presidente Lula não é o primeiro a sugerir mais produção do insumo. No ano passado, o governo Bolsonaro lançou o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), que vai definir um caminho para o Brasil diminuir a dependência do exterior até 2050.

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Lula já disse que, em seu governo, o programa será continuado e o ministro da agricultura, Carlos Fávaro, em entrevista ao jornal O Globo, afirmou que irá colocar em funcionamento três plantas de produção de nitrogenados da Petrobras, que estavam paralisadas.

Os nitrogenados são compostos orgânicos que fornecem o nitrogênio, por exemplo, os derivados da amônia e a ureia.

Entenda mais sobre o problema em 6 perguntas e respostas:

Por que o Brasil não é um grande produtor de fertilizantes?

É caro produzir fertilizantes no Brasil?

O Brasil pode se tornar autossuficiente?

Quais os principais objetivos do PNF?

Quais medidas poderiam ser tomadas pelo governo?

E como fica o meio ambiente?

Por que o Brasil não é um grande produtor de fertilizantes?

A desindustrialização do setor e a perda de competitividade vêm ocorrendo gradativamente ao longo de 25 anos, afirma Bernardo Silva, diretor executivo do Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert).

Para ele, o principal marco que iniciou esse movimento aconteceu em 1997, com o convênio ICMS, que determinou pagamento de impostos na comercialização de fertilizantes dentro do país, sem aplicar a mesma medida para importação.

Com isso, ficou mais barato importar fertilizantes do que comprar os nacionais.

“Isso acabou retirando completamente a competitividade da indústria nacional e aqueles atores que estavam no mercado foram acumulando prejuízos e decidiram sair do setor”, diz.

Duas dessas empresas que saíram do setor de fertilizantes foram a Vale e a Petrobras.

Ainda assim, antes desse movimento, o Brasil não era autossuficiente. Contudo, o país produzia mais do que importava, afirma Silva.

É caro produzir fertilizantes no Brasil?

A produção de fertilizantes no Brasil se tornou cara ao longo dos anos, o que, para Silva, estimula a desindustrialização. Entram nesses custos: mão-de-obra, matéria-prima, energia e o gás natural brasileiro, que tem o valor elevado.

O preço dos fertilizantes vem sofrendo quedas, mas os importados ainda são mais atrativos para os agricultores, por serem mais baratos, aponta Jefferson Souza, coordenador de fertilizantes da Agrinvest Commodities, uma corretora de Commodities Agrícolas.

Além disso, para as empresas que decidem entrar no ramo, o investimento inicial é grande e o retorno do valor pode demorar cerca de 20 anos, explica Paulo Sérgio Pavinato, professor no departamento de Ciência do Solo, da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo (Esalq/USP).

FONTE/CRÉDITOS: g1
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