www.hojeamazonia.com.br

OPÇÕES
Logo
Domingo, 09 de maio de 2021
Publicidade
Publicidade

Agro

Metade dos produtores de leite em Rondônia mantém suspensão e situação está tensa

O líder da Comissão e o Presidente da Faperon pedem aos produtores para manter serenidade

Publicidade
Publicidade
Imagem de capa
A-
A+
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

PRODUTORES RECLAMAM DE OMISSÃO DA CLASSE POLITICA

               O presidente da Comissão de Produtores de Leite de Rondônia, Rui Barbosa, fez circular nas redes sociais, no inicio da noite de domingo, uma mensagem onde diz estar “decepcionado” com o Governo de Rondônia e também com os deputados estaduais. No áudio, direcionado aos produtores de leite de todo o Estado, Barbosa diz que “se enganou quando achou que tanto o Governo quanto a Assembleia estavam, de fato, empenhados em ajudar o pequeno produtor”. A indignação do líder faz referencia ao uso de viaturas de Policia Militar na escolta de caminhões que transportam leite de grandes produtores. Ele também tornou público um áudio, provavelmente feito por um grande produtor de leite, onde, entre outras coisas, o cidadão exige de um diretor de laticínio que arrume uma “ordem” para que a polícia escolte os caminhãos.

“Todo mundo agora está armado, quero ver eles derramar”, diz o produtor, acrescentando que não pode parar de entregar leite porque tem “um menino no Paraguai” e que “esse rebanho do PT do Satanás não vai mandar dinheiro pra  mim pagar o estudo do menino.” O produtor literalmente dá ordens ao dirigente da empresa e completa dizendo “esse rebanho de capeta...tinha que “ponha” fogo..”

Rui Barbosa reclama que os deputados falam “grosso” na tribuna, mas é só isso. “Em vez de se reunirem com dirigentes das indústrias de laticínios, apoiaram que a PM fosse enviada para qualquer “enfrentamento” com os pequenos produtores”, lamenta Rui Barbosa, pregando manifestação pacifica, mesmo que a situação esteja se tornando bastante delicada. “Eu lavo as mãos e o que acontecer de agora em diante é culpa dos senhores deputados, do senhor Governador e do seu vice, que não demonstram respeito ou consideração pelo pequeno produtor”, afirmou Rui Barbosa.

 O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Rondônia, Hélio Dias, disse que é preciso atenção para os rumos que a greve esta tomando, em função da ação um tanto radical de produtores dos assentamentos rurais do Estado. “Já registramos casos de enfrentamento, derramamento de leite, interdição de estradas e outras ações que podem piorar”, adverte o presidente da Faperon, afirmando a necessidade da intervenção do Governo do Estado, dos dirigentes da Seagri e também do vice governador para  mediação política da paralização. “Já temos metade dos 28 mil produtores de leite de Rondônia engajados no movimento. Em março o Estado produzia 1 milhão e 650 mil litros de leite por dia. Com o agravamento da paralisação pela retomada do preço todos perdem...produtores, laticínios, municípios, rede comercial e o próprio Estado”, raciocina Hélio Dias, observando que a Faperon, legitima representante do setor, está atuando como mediadora nos diálogos entre produtores e indústrias.

INTERIOR MOBILIZADO

Desanimados com o descumprimento de acordo firmado em contrato e com a perspectiva de receber apenas 90 centavos por litro de leite no próximo mês, muito abaixo do custo estimado de produção, que beira R$ 1,10, produtores de praticamente todos os municípios aderiram à “greve” e deixaram de abastecer os laticínios ou estão entregando menos da metade do que produzem.

José Iracio da Silva produz 200 litros/dia na linha São Paulo, município de Espigão do Oeste e suspende a entrega de leite para indústria faz nove dias. Ele defende uma paralisação pacífica e discorda de qualquer tipo de enfrentamento. “Nosso movimento tem que ser da porteira pra dentro né? Sem ataques aos caminhões, sem derramar leite. Nós, produtores, estamos sendo massacrados pelos laticínios faz anos e agora o custo de produção ficou muito alto”, diz Iracio, contando que seu custo para produzir um litro de leite é de 1 real e 17 centavos. “Entregar para o laticínio por 1,20 é andar pra trás”, aponta Iracio da Silva, que não poupa a classe política; “Nós temos uma bancada estadual e federal acovardada, que não faz nada pra defender os pequenos produtores. “Nós sempre ficamos ao Deus dará. Há anos estamos sendo explorados pelos laticínios, que nos paga o que bem entende, como se produtor fosse escravo. Enquanto isso, os derivados do leite só aumentam de preço, enriquecendo os cartéis que dominam o setor”, desabafa ele.

Segundo José Iracio, pelo menos metade dos produtores de Espigão aderiram ao movimento. “Eu estou fazendo muzzarela com o leite que ia pro laticínio, alimentando melhor os bezerros e o que sobra alimento os porcos”, disse Iracio, informando que não usa produtos químicos para tratar seu rebanho. “Usamos produtos homeopáticos, descartamos leite de vacas em tratamento, tudo para oferecer um  produto de qualidade e não temos nenhum reconhecimento. Cansamos”, finaliza ele.

No município de Urupá a situação é idêntica, segundo o produtor Leandro: “Nos últimos três meses o preço do leite (para o produtor), teve uma queda de 35%. Nenhuma atividade consegue se manter com índice financeiro assim”, critica ele, acrescentando que falta atuação eficiente da classe política. “Estamos vendo o mesmo “filme” há anos e não percebemos ações que resultem em soluções por parte dos governantes e da classe política”, diz Leandro.

“Laticinios tiram do pequeno para remunerar melhor os grandes”, afirma produtor de São Francisco

Marcos Paulo Souza, produtor de leite em São Francisco do Guaporé, é curto e claro: “Os laticínios tiram do pequeno produtor para remunerar melhor os grandes produtores, quer recebem bonificação diferenciada. Para eles não é interessante aderir ao movimento, porque para eles a pecuária leiteira está sendo lucrativa”, desabafa ele, citando que a indústria de laticínios descumpre a  Lei aprovada em 2012, que obriga informar, na nota fiscal, o valor que será pago no mês seguinte. “Nós trabalhamos no “escuro”, porque somos os últimos à saber quanto vamos receber e isso inviabiliza qualquer programação para investimentos em  melhorar e aumentar a produção”, conta ele, apontando que falta ação do Governo no sentido de estabelecer um valor de referência para o leite (por litro), oferecendo mais segurança para o setor.

“Só no mês de março a empresa Italac “tirou” 7 milhões dos pequenos produtores de leite no Estado de Rondônia, com a redução de 40 centavos no preço pago por litro. E pode “economizar”, nas costas do produtor, 14 milhões, caso mantenha esses preços no mês de março”, narra Marcos Paulo, esclarecendo a partir de junho as empresas vão aumentando o preço pago, 5 centavos cada mês. Nessa operação fica claro que as indústrias de laticínios pagam o reajuste com o dinheiro dos próprios produtores, numa manobra que Marcos Paulo considera inaceitável.

Segundo informações de Marcos Paulo, os laticínios demoram, em média, 45 dias para efetuar o pagamento e, não raro, até dois meses, prazo talvez suficiente para a transformação do leite e colocação no mercado consumidor. A situação, conforme Marcos, não é nada confortável para o setor leiteiro de pequeno e médio porte e a mobilização é mais do que necessária, desde que pacifica. “ É uma situação recorrente. Todo ano é a mesma coisa e não observamos nenhuma atitude da classe política para resolver a questão. Estamos literalmente desamparados”, lamenta Marcos, que faz parte de um grupo de um grupo de produtores que firmaram contratados com a empresa de transformação para entrega de 5.300 litros de leite por dia. Organizados numa Associação, o grupo tenciona conseguir melhor remuneração em virtude da quantidade de produto entregue, classificando-se como produtor de, pelo menos, médio porte.

No contrato ficou estabelecido preço mínimo de 1,60 litro/leite. Mesmo com o instrumento contratual estabelecido e registrado, a empresa reduziu o valor pago em 40 centavos, causando, somando-se as bonificações, um prejuízo de aproximadamente 60 mil reais. Além disso, os dirigentes da Associação descobriram, quando procuraram advogado para judicializar a questão, que o contrato firmado não envolve, de forma direta, o Grupo Italac. “Fomos, de certa forma, enganados. As pessoas que assinaram o contrato conosco não representam legalmente o laticínio. São intermediários que não tem procuração para firmar acordos em nome da empresa”, lamenta Marcos, afirmando que o contrato será questionado judicialmente assim mesmo, já que está configurada atitude de má fé.

Comentários:

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade