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Sexta, 12 de agosto de 2022

Curiosidades

Novos geoglifos são registrados por fotógrafo durante sobrevoo no Acre 

Os monumentos foram encontrados entre a margem direita do Igarapé Miterrã e a margem esquerda do Rio Rapirrã

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Monumentos foram encontrados durante sobrevoo de rotina do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer). ‘Nessa região, como está descrito, é a primeira vez que se faz esses registros’, diz pesquisador.

O Acre é pioneiro e referência quando o assunto é geoglifos. Ao todo, o estado tem registrado mais de mil monumentos, conhecidos por serem estruturas geométricas escavadas na terra, em formato de quadrados, retângulos ou círculos.

O governo divulgou, nessa quinta-feira (30), uma nova descoberta. Os novos desenhos foram fotografados durante um sobrevoo de rotina do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer). Ao todo foram registrados três conjuntos de geoglifos próximos uns dos outros, circulares e quadrados.

Os monumentos foram encontrados entre a margem direita do Igarapé Miterrã e a margem esquerda do Rio Rapirrã, próximos à Bolívia, mais precisamente entre os municípios acreanos de Capixaba e Plácido de Castro.

O registro desses monumentos nessa região - fronteira com a Bolívia - é inédito, segundo o paleontólogo Alceu Ranzi, um dos primeiros a estudar os sítios arqueológicos encontrados no Acre e autor de diversos livros que abordam esses estudos.

“Nós ainda não tínhamos registro nesta fronteira. Temos muitos próximos de Plácido de Castro e ao longo da BR-317, sentido para Capixaba, mas, ao longo da fronteira com a Bolívia, que já é de difícil acesso, a gente não fez trabalho de campo nessa região. É uma descoberta extremamente importante, porque amplia a área. A gente focava muito na área de Boca do Acre, trabalhando naquela região do Sul do Amazonas e Norte do Acre, mais para o lado de Acrelândia, e veio essa maravilha que está aí. Nessa região, como está descrito, é a primeira vez que se faz esses registros”, disse.

No site oficial do governo, o profissional diz que já tem técnica e também autor dos outros registros de geoglifos no estado, destacou ainda que o horário do voo - antes do amanhecer - ajudou para o registro.

“Só foi possível enxergá-los graças à angulação acentuada dos raios solares da manhã, caso contrário seria praticamente impossível enxergá-los, pois seus barrancos não produziriam uma somBra”, afirmou Diego Gurgel.

Assim que fez o registro, o fotógrafo Diego Gurgel procurou Ranzi e mandou algumas imagens. Não é a primeira vez que o profissional faz fotos dos monumentos históricos. Inclusive, ele tem parceria com o paleontólogo, que usa suas fotos em suas literaturas.

“O Diego desenvolveu essa capacidade. Ele aprendeu a olhar e identificar. Lembro que há 20 anos, eu também olhava e não enxergava as formas, até que fomos percebendo onde tinha que focar, altitude que tinha que voar, qual era o foco que precisávamos dar e logo fomos achando um atrás do outro. Se você não tem um olhar treinado, você passa batido”, explicou.

Geoglifos na Amazônia

Os geoglifos descobertos na Amazônia na década de 1970, com o aumento dos desmatamentos e começaram a ser melhor estudados a partir dos anos 2000. Teriam sido construídos por civilizações que ocuparam o sul da Amazônia, antes da formação da floresta e seriam usados para cerimônias e rituais religiosos.

“O nosso estado talvez seja, no Brasil, o que está mais avançado no conhecimento pela quantidade de fotografias, mapeamento e escavações. Então, o Acre está à frente disso, é uma referência nacional e internacional com relação às pesquisas relacionadas aos geoglifos, porque foi aqui que se viu pela primeira vez, depois foram descobertos em Rondônia, Amazonas, Mato Grosso, na Bolívia. Então, o Acre sempre será referência nos trabalhos."

O pesquisador destaca ainda que é necessário preservar esse conhecimento e construções que são importantes para a cultura da região. Estima-se que os monumentos tenham mais de dois mil anos.

“Isso é um patrimônio dos acreanos, brasileiros e da humanidade e deve ter em torno de 2 mil anos. São civilizações que desapareceram ou pararam de usar de construção monumental e geométricas e as datações nos levaram entre 1.000 e 1.012 anos. Então, é uma responsabilidade nossa cuidar disso. Não podemos destruir isso porque a soja está dando dinheiro, o milho está dando dinheiro. Não vivemos só de dinheiro - são importantes, mas precisamos de cultura e conhecimento e temos que incutir isso nas gerações futuras. Estamos caminhando em cima de pegadas de nossos ancestrais, é um solo sagrado”, finaliza.

Fonte/Créditos: G1ACRE

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