A arrogância não chega batendo na porta.
Ela entra como quem tem direito.
Vem mansa, quase invisível. Se mistura com as certezas, com as conquistas, com as pequenas vitórias do dia a dia. Quando a gente percebe, já está ali, sentada dentro da gente, opinando sobre tudo, julgando sem pedir licença.
E o pior é que ela não pesa.
Outros defeitos incomodam, apertam, denunciam. A arrogância, não. Ela se justifica. Se explica. Às vezes até se veste de razão. A gente acha que está sendo firme, lúcido, seguro — e nem percebe que já está sendo duro, fechado, distante.
Talvez por isso seja a última a ir embora.
Porque para expulsar a arrogância é preciso, antes, reconhecê-la. E reconhecer exige uma coisa que ela não suporta: humildade.
É um trabalho silencioso. Quase invisível.
Desconfiar um pouco de si mesmo.
Ouvir mais do que falar.
Aceitar que o outro também enxerga pedaços do mundo que a gente não vê.
Não é sobre virar pequeno.
É sobre não precisar ser maior o tempo todo.
No fim, talvez seja isso que salva a gente
aprender a caber no próprio tamanho.
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