Santa Catarina registra um dos cenários mais impactantes da política municipal recente no país: 29 prefeitos foram presos desde agosto de 2020, número que equivale a 9,81% dos 295 municípios catarinenses. Na prática, significa que um a cada dez prefeitos foi detido nos últimos quatro anos em operações policiais que investigam corrupção, fraudes em licitação, lavagem de dinheiro e outros crimes.
O caso mais recente ocorreu na quinta-feira (8), envolvendo Júnior de Abreu Bento (Progressistas), prefeito de Garopaba. Ele foi alvo de mandado judicial em uma investigação sobre um suposto esquema de fraude em contratos públicos, especialmente relacionados ao serviço de coleta de lixo, que também atingiu outros agentes públicos da região.
Primeiros casos e evolução das operações
O primeiro prefeito preso nesse período foi Orildo Antônio Severgnini (MDB), então gestor de Major Vieira, detido na segunda fase da operação Et Pater Filium, que apurava esquemas de corrupção, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro.
Desde então, diversas operações — estaduais e federais — desencadearam prisões de chefes do Executivo municipal em diferentes regiões do estado. Algumas investigações resultaram em solturas posteriores, renúncias, condenações ou até reeleições. Um dos casos emblemáticos é o de Patrick Corrêa (Republicanos), de Imaruí, que foi reeleito mesmo após ter sido preso.
Operação Mensageiro concentra maior número de prefeitos detidos
A Operação Mensageiro, que apura um esquema envolvendo contratos de coleta de lixo, foi a que mais prendeu prefeitos: 17 ao todo, configurando o maior escândalo político do estado dos últimos anos.
Prefeitos presos desde 2020
Orildo Antônio Severgnini (MDB) – Major Vieira – Operação Et Pater Filium
Adelmo Alberti (antigo PSL) – Bela Vista do Toldo – Et Pater Filium
Beto Passos (PSD) – Canoinhas – Et Pater Filium
Deyvisonn Souza (MDB) – Pescaria Brava – Operação Mensageiro
Luiz Henrique Saliba (PP) – Papanduva – Mensageiro
Antônio Rodrigues (PP) – Balneário Barra do Sul – Mensageiro
Marlon Neuber (PL) – Itapoá – Mensageiro
Antônio Ceron (PSD) – Lages – Mensageiro
Vicente Corrêa Costa (PL) – Capivari de Baixo – Mensageiro
Joares Ponticelli (PP) – Tubarão – Mensageiro
Luiz Carlos Tamanini (MDB) – Corupá – Mensageiro
Adriano Poffo (MDB) – Ibirama – Mensageiro
Adilson Lisczkovski (Patriota) – Major Vieira – Mensageiro
Armindo Sesar Tassi (MDB) – Massaranduba – Mensageiro
Patrick Corrêa (Republicanos) – Imaruí – Mensageiro
Luiz Shimoguri (PSD) – Três Barras – Mensageiro
Alfredo Cezar Dreher (Podemos) – Bela Vista do Toldo – Mensageiro
Felipe Voigt (MDB) – Schroeder – Mensageiro
Luiz Antônio Chiodini (PP) – Guaramirim – Mensageiro
Clézio José Fortunato (MDB) – São João do Itaperiú – Mensageiro
Douglas Elias Costa (PL) – Barra Velha – Operação Travessia
Ari Wollinger (PL) – Ponte Alta do Norte – Operação Limpeza Urbana
Gustavo Cancellier (PP) – Urussanga – Operação Terra Nostra
Clori Peroza (PT) – Ipuaçu – Operação Fundraising
Fernando de Fáveri (MDB) – Cocal do Sul – Fundraising
Marcelo Baldissera (PL) – Ipira – Fundraising
Mario Afonso Woitexem (PSDB) – Pinhalzinho – Fundraising
Clésio Salvaro (PSD) – Criciúma – Operação Caronte
Júnior de Abreu Bento (PP) – Garopaba – Operação Coleta Seletiva
Partidos mais atingidos
MDB: 8 prefeitos presos
PP: 6 prefeitos
PL: 5 prefeitos
PSD: 4 prefeitos
PSL, Patriota, Republicanos, Podemos, PT e PSDB: 1 prefeito cada
O cenário revela uma crise de confiança na gestão municipal catarinense, com investigações que escancararam esquemas estruturados e de longo alcance. As operações seguem em andamento, e novos desdobramentos não são descartados.
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